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De Washington a Teerã – EUA não podem deixar mundo árabe nas mãos do Irã

gustavochacra

13 de agosto de 2010 | 10h13

Os países árabes, e não apenas Israel, são dependentes militarmente dos Estados Unidos e temem que a ajuda seja suspensa. Nesta semana, vimos os libaneses temendo perder a contribuição de US$ 100 milhões para o seu Exército e o chefe das Forças Armadas do Iraque declarar que os americanos deveriam permanecer até 2020 no país, quando as tropas iraquianas deverão estar suficientemente treinadas – a retirada está prevista para 2011.

O embaixador dos Emirados Árabes Unidos foi mais longe e disse que um Irã nuclear somado à menor ajuda americana aos pequenos países do golfo poderá levar estas nações a serem englobadas pela zona de influência iraniana. O regime de Teerã, vendo parlamentares americanos tentando bloquear o apoio militar a Beirute depois do incidente com Israel na fronteira, já se ofereceu para treinar o Exército libanês.

Os EUA não podem permitir que países estratégicos passem para o campo iraniano. Muito menos ver aliados como o governo libanês e o dos Emirados indo para o lado iraniano por abandono. Sem falar no Iraque – mas, neste caso, concordo que a retirada deva ser levada adiante. O ideal para os EUA era trazer aliados iranianos para a sua esfera de influência, como a Síria.

Os americanos também devem deixar claro que seus interesses na região não são movidos apenas pelos interesses de Israel. Os países árabes podem – e tem – muitos objetivos similares aos dos israelenses. Os sauditas e os egípcios temem bem mais o Irã do que Israel. Hoje seria completamente impensável uma guerra do Exército de Riad contra o israelense. Mas ninguém descarta um confronto entre sauditas e iranianos.

Como sempre, não podemos esquecer que a guerra mais sangrenta da região na segunda metade do século 20 foi do Irã-Iraque. Matou bem mais do que todas os conflitos entre árabes e israelenses somados (escrevi isso antes aqui).

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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