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Defensores de direitos criticam Dilma por declaração de tortura em delegacias do Brasil

gustavochacra

12 de abril de 2012 | 18h09

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Organizações de defesa dos direitos humanos repudiaram declaração da presidente Dilma Rousseff afirmando não poder fazer nada impedir a tortura nas delegacias do Brasil.

“A declaração de Dilma – ela mesma ex-presa política e vítima de tortura – é inadmissível sob qualquer circunstância, mas vem revestida de ainda maior gravidade porque ocorre num momento especialmente sensível. O País enfrenta hoje um debate acalorado sobre o estabelecimento da Comissão da Verdade, que conta com o apoio da presidente, para esclarecer crimes praticados durante a ditadura militar, incluindo o crime de tortura”, diz comunicado assinado por 11 entidades de defesa dos direitos humanos do Brasil.

Em palestra na Universidade Harvard, nos EUA, nesta terça, Dilma mencionou a questão da tortura ao ser perguntada pelo estudante Francisco Marquez qual seria a sua mensagem sobre a prisioneira política venezuelana Maria Afiune.

“Olha, eu sempre defendo os direitos humanos. Agora, não vou te responder uma pergunta que não sei todas as circunstâncias. Não posso ficar te respondendo se não sei do que se trata, se não sei quem é. Eu te digo o seguinte – do ponto de vista do Brasil, sempre que podemos e temos a oportunidade, manifestamos o interesse do país em respeitar os direitos humanos. Mas sei também uma coisa – o Brasil tem um grande desrespeito aos direitos humanos. Eu não tenho como impedir em todas as delegacias do Brasil de haver tortura. Sei do que acontece em Guantánamo”, afirmou Dilma.

Na avaliação das entidades, que incluem a Conectas e o Instituto Vladimir Herzog, seria preciso que a presidente esclarecesse melhor o que quis dizer com esta frase. “As organizações abaixo-assinadas buscam cotidianamente combater a prática de tortura e temem que a declaração da presidente seja interpretada pela sociedade e autoridades públicas brasileiras como um aval e reconhecimento de impotência, incapacidade e rendição diante de uma das mais graves violações aos direitos humanos atualmente no Brasil. Pedimos uma declaração explícita da presidente de que não tolerará a tortura e empenhará todos os esforços para combatê-la”, afirma o comunicado.

Na palestra, Dilma já havia respondido a outra pergunta sobre o que achava de Chávez. Ela afirmou que torce para o líder venezuelano se curar do câncer.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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