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Depois da vitória doméstica, Obama deve se focar na política externa

gustavochacra

22 de março de 2010 | 03h53

Obama venceu a principal batalha de seu mandato com a aprovação da reforma do sistema de saúde. Pode não ter sido perfeita, da forma como ele queria. Mas é uma vitória e seu governo já pode celebrar um dos maiores avanços na política doméstica americana em anos. A partir de agora, o presidente terá tempo de se focar em outros assuntos, especialmente política externa. São cinco os pontos mais importantes para os Estados Unidos

1. Completar a retirada do Iraque. As recentes eleições, com todos os seus problemas, demonstraram que os iraquianos podem se transformar na primeira democracia no mundo árabe. O risco ainda é se transformar em um Líbano, que é democrático, mas enfrenta o problema da divisão sectária

2. Tentar aprovar uma nova resolução com sanções ao Irã. A não ser que a China vete, os americanos deverão conseguir. Mas Obama quer os votos simbólicos do Brasil e da Turquia. Caso contrário, mesmo sem o veto chinês, as sanções teriam menos força por não contarem com o apoio de duas potências regionais

3. Reconstruir o governo afegão para que as tropas americanas consigam deixar o Afeganistão o mais rapidamente possível. Ao mesmo tempo, Obama precisará determinar como lutar contra a Al Qaeda. Não deixa de ser uma aberração tantos recursos direcionados ao Afeganistão, enquanto a rede terrorista hoje é bem mais forte no Yemen

4. Levar adiante de uma vez por todas um acordo entre palestinos e israelenses. Como definiu bem Thomas Friedaman, é um embate entre a ideologia de Salam Fayyad, premiê palestino, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmedinejad. De um lado, o “Fayyadismo” busca o inverso de Arafat, tentando construir as instituições palestinas para ter um Estado viável ao lado de Israel. Do outro, o iraniano vibra com o maior caos na região, que apenas o fortalece

5. E, finalmente, Obama terá que decidir qual será o papel e a relação dos EUA com as novas potências emergentes. Brasil, China, Índia, Turquia e Rússia possuem hoje um peso crescente. Ao mesmo tempo, a força dos países europeus diminuiu. Não será fácil para o presidente americano. Apesar de todos estes emergentes serem aliados americanos, seus líderes discordam de grande parte da política externa dos EUA

Sigo em Cartagena (Colômbia), de onde escreverei posts nos próximos dias, antes de retornar a Nova York

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

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