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Depois de errar na Líbia, Obama acerta na Síria (eu sei que vão discordar de mim, mas leiam)

gustavochacra

14 de fevereiro de 2014 | 19h24

Barack Obama está certo em sua política para a Síria. Sem dúvida, cometeu alguns erros retóricos, como ao dizer que o uso de armas químicas seria um divisor de águas ou ao exigir a saída de Bashar al Assad, embora não tivesse como atingir este objetivo.

A Síria hoje está em uma guerra civil envolvendo, de um lado, o regime, com o apoio de Rússia, Irã, Iraque e Hezbollah, além das minorias cristãs, alauítas, drusas e sunitas seculares (quase não há xiitas na Síria). Do outro, uma colcha de retalhos de grupos opositores sunitas conservadores, incluindo alguns ligados à Al Qaeda, com o apoio direto da Arábia Saudita, outras nações do Golfo Pérsico e a conivência, por enquanto, da Turquia (os turcos aos poucos retornam para o lado de Assad, assim como já ocorreu com o Egito).

Portanto, de um lado, temos o maior inimigo dos EUA (Irã) e o maior rival (Rússia). Do outro, a maior organização terrorista do mundo (Al Qaeda) e alguns grupos ainda mais radicais, como o ISIS (a rede de Bin Laden rompeu com este grupo por considera-lo muito radical). Facções rebeldes moderadas são irrelevantes neste momento.

O que Obama poderia fazer? Invadir a Síria? Não certo no Iraque, onde morreram mais pessoas do que na guerra síria e Bagdá ainda é mais violenta do que Damasco. Armar os opositores? Não deu certo no Afeganistão nos anos 1980. Os mujahedin armados pelos EUA instalariam o regime do Taleban e formariam a Al Qaeda. Bombardear e armar os opositores, sem enviar tropas? Não deu certo na Líbia, um país dominado hoje por milícias a ponto de até o embaixador dos EUA ter sido morto por grupos ligados à Al Qaeda. Enviar forças de paz? Não deu certo no Líbano nos 1980, quando os centenas de marines americanos morreram em atentado terrorista e a guerra civil prosseguiu por anos.

Por último, há a opção atual. Condenar os crimes do regime, condenar os crimes dos rebeldes, e abrir espaço para um diálogo diplomático em Genebra, apoiando grupos opositores laicos no exílio. Verdade, também fracassou. Mas guerras civis não têm soluções fáceis, especialmente quando os dois lados são fortemente armados como na Síria.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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