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Depois de vencer, Obama enfrentará o abismo fiscal

gustavochacra

07 de novembro de 2012 | 03h04

Eleições nos EUA 2012

Barack Obama venceu. Mas a taxa de desemprego continua alta, milhões de imigrantes não sabem qual será o destino deles e ainda há diversas crises no Oriente Médio, com bombardeios americanos no Iêmen e dezenas de milhares de tropas no Afeganistão. Apesar destas questões, o mais importante neste momento será negociar uma solução para o fiscal cliff (abismo fiscal) antes do dia 31 de dezembro.

Depois de passado o entusiasmo com a vitória, Obama sabe que serão semanas de negociações com o Congresso, que seguirá dividido entre a Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, e o Senado, nas mãos dos democratas. Alguns deputados e senadores estarão em fim de mandato depois de derrotas eleitorais, adicionando mais problemas.

O fiscal cliff, ou abismo fiscal, prevê a imediato aumento nos impostos de trabalhadores e dos negócios, além de um amplo corte nos gastos. Caso ocorra, certamente reduzirá o déficit americano, mas com um enorme custo econômico para um país que já enfrenta 7,9% de desemprego, segundo números do Departamento do Trabalho.

Cerca de mil programas do governo, incluindo as áreas de educação, saúde e defesa serão imediatamente afetados caso não exista acordo. As segunda opção é o cancelamento de todos os cortes nos gastos e elevação nos impostos, evitando o fiscal cliff, mas elevando ainda mais o déficit, visto por muitos economistas como insustentável.

A terceira alternativa seria uma solução intermediária e o presidente eleito ou reeleito precisará lidar com este tema assim que os resultados das urnas indicarem o vencedor. “Nenhum dos envolvidos em Washington está preparado para uma negociação simples. Deve haver uma semana de reflexão depois da eleição, quando os dois lados tentarão o significado do resultado para o seu poder de barganha”, escreveu o analista Sean West, da consultoria de risco político Eurasia, em análise distribuída a bancos e fundos de investimento.

Na avaliação dele, se Obama vencer, ele tende a evitar uma guerra com os republicanos e “tentará cicatrizar o país” para facilitar a sua administração em segundo mandato. Mas, vale frisar, com uma vitória apertada como a de ontem, o presidente terá pouco poder de barganha.

Obs. Falarei de Romney em outro post

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade ColumbiaTambém é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios