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Desaceleração da economia dos EUA favorece Romney e enfraquece Obama

gustavochacra

27 de abril de 2012 | 11h18

Escrevi aqui diversas vezes que a sensação econômica nos swing states, como são chamados os Estados sem predomínio democrata ou republicano, devem determinar o resultado da eleição presidencial. Claro, os três debates também terão influência, mas Barack Obama estará mais forte com uma economia saudável do que com uma detoriarada.

O problema é que, para o presidente, as notícias não tem sido tão boas. A crescimento do PIB desacelerou para 2,2% no primeiro trimestre deste ano, depois de se elevar 3% no passado, e a crise na Europa parece não ter fim. O preço da gasolina segue aumentando. A taxa de desemprego tem caído lentamente e está bem distante dos patamares pré-crise. Mais grave, a falta de trabalho atinge justamente os jovens e minorias que são uma base importante para o atual ocupante da Casa Branca.

Ao mesmo tempo, os republicanos também tentarão fortalecer a figura de Romney. As sangrentas primárias estas já ficaram no passado. Do populista New Gingrich ao ultra-conservador Rick Santorum, do moderado Jon Huntsman ao cowboy Rick Perry, os derrotados declararam que darão suporte para o ex-governador. O deputado Ron Paulo segue adiante mas ele próprio admite que seu ideal é apenas divulgar a sua mensagem libertária e não ser o indicado do partido.

Verdade, há obstáculos. Romney não desfruta o carisma de Obama. Também sofre preconceito por ser mórmon e bilionário, além de ser acusado de muitas vezes voltar atrás na suas posições apenas para agradar a audiência.

Mas possui o que muitos consideram o mais perfeito currículo para alguém querer ser presidente. Conclui a Escola de Direito e o MBA em Harvard nos primeiros lugares, transformou a Bain Capital em um dos maiores fundos de private equity do mundo, teve um governo moderado em Massachusetts revolucionando a cobertura de saúde no Estado e salvou as Olimpíadas de inverno em Salt Lake City.

E, claro, é bilionário por mérito próprio e isso não pode ser considerado um defeito – assim como os democratas deveriam evitar sentimentos anti-mórmons pois sempre reclamaram da islamofobia contra o presidente, cristão, mas filho de pai muçulmano.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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