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Desde quando israelenses e palestinos se odeiam?

gustavochacra

22 de julho de 2014 | 09h46

Por que israelenses e palestinos se odeiam tanto? Primeiro, que fique claro, palestinos e israelenses, apesar de divergências, conviviam bem até os anos 1980 e mesmo durante os 1990. Muitos habitantes de Gaza ou de cidades na Cisjordânia trabalhavam em Israel, assim como muitos  israelenses visitavam as cidades e vilas palestinas para passear. Era comum israelenses judeus e palestinos cristãos e muçulmanos serem amigos e colegas de trabalho.

Conforme uma série de especialistas na região começou a frisar nos últimos tempos, esta convivência entrou em colapso com a separação entre os dois lados. No caso de Gaza, é ainda mais chamativo. Qualquer habitante de Gaza com menos de 20 anos dificilmente tem memória do que é Israel. E israelenses com menos de 20 anos entraram nos territórios palestinos apenas em ocupações militares (e, mesmo assim, em um número estatisticamente irrelevante).

Sem esta convivência, as narrativas mais extremistas ganham força. Em Gaza, é fácil para o Hamas demonizar os israelenses porque os jovens palestinos nunca viram um pessoalmente. O contato deles com Israel se dá agora na invasão por terra ou por TVs e posts em redes sociais cadas vez mais radicais. O mesmo ocorre do outro lado. Israelenses não conhecem palestinos de Gaza. O contato deles com o território se dá através dos foguetes lançados pelo Hamas e também por posts radicais em redes sociais (basta ver aqui no Brasil a quantidade de bobagens e mentiras envolvendo o conflito aqui no Facebook e mesmo em grandes jornais).

Quanto maior a convivência, maior a chance de paz. Basta observar como os árabe-israelenses, sejam eles cristãos ou muçulmanos, apesar de críticos de políticas de Israel, convivem bem com os vizinhos judeus e são integrados à sociedade israelense. Eles jamais lançariam foguetes contra Tel Aviv mesmo porque muitos vivem em Jaffa e em outras partes da cidade.

O problema é que a falta de convivência, já no zero em Gaza, tende a crescer também na Cisjordânia, onde o contato dos palestinos com Israel cada vez mais se resume aos colonos, que representam a ala mais radical dos israelenses. 

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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