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Deserção do general mais bonito do mundo é a maior ameaça a Assad em 17 meses de levante

gustavochacra

06 de julho de 2012 | 11h22

no twitter @gugachacra

A deserção do general Manaf Tlass, se confirmada, é a primeira verdadeira ruptura dentro do regime de Bashar al Assad.

Seu pai, Mustafá Tlass, foi ministro da Defesa por 32 anos até 2004. Era o braço direito de Hafez al Assad. O filho cresceu com os irmãos Bashar e Bassil, sendo confidente de ambos. Atualmente, aos 48 anos, se destacava como um dos mais proeminetes comandantes da Guarda Revolucionária.

Sunita moderado, liderou a violenta repressão contra os opositores nos subúrbios de Damasco. Depois chegou a um acordo com as milícias para um cessar-fogo. Outros membros do regime não gostaram, provocando o atrito entre Tlass e as forças leais a Assad, especialmente Maher.

Tlass também é a pessoa mais carismática da Síria. Ninguém discute. Boa pinta, recebia elogios até de Bashar por sua aparência, sendo descrito nas ruas de Damasco e Aleppo como o homem mais bonito do mundo.

Sua figura seria ideal para dar garantias aos setores internos na Síria e também na Rússia de que radicais sunitas da oposição, patrocinados pela Arábia Saudita e o Qatar, não assumiriam o poder. Ele é o típico integrante da elite damascena e alepina e agradaria à Rússia, por ter boas relações com os cristãos, tradicionalmente pró-Assad e protegidos por Moscou, com o meio empresarial e militar – seu irmão Firas é um dos mais bem sucedidos executivos da Síria e está nos Emirados Árabes.

Por outro lado, possui sangue nas mãos. Não é diferente de absolutamente nenhum dos outros integrantes da máquina repressora do regime de Assad. Talvez muitos opositores sejam relutantes em aceitá-lo como líder.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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