Desiludidos com Fatah e Hamas, palestinos sonham em dar um CTRL+ALT+DEL
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Desiludidos com Fatah e Hamas, palestinos sonham em dar um CTRL+ALT+DEL

gustavochacra

13 de janeiro de 2009 | 09h35

CTRL+ALT+DEL. A imagem acima é do checkpoint israelense em Qalandia. O monstro de concreto que Israel construiu para separar o seu território da Cisjordânia é todo pichado no lado palestino da fronteira, na estrada usada para ir a Ramallah, sede da Autoridade Palestina. Este muro tem a função de garantir a segurança de Israel. E é sem dúvida um sucesso. Quase não há mais atentados suicidas. A crítica maior ao muro, que em alguns trechos é uma cerca, se deve ao local onde foi construído. Em muitos pontos, em vez de permanecer nas fronteiras de Israel reconhecidas internacionalmente, o muro adentra o território palestino, separando crianças de escolas, fazendeiros de suas terras e até mesmo atletas de suas academias. Irmãos não podem visitar irmãos sem cruzar a segurança israelense. Poucos conseguem viver com esta ocupação, na qual Israel nunca deixou de construir assentamentos ilegais, dificultando ainda mais os acordos de paz. Não se deve criticar Israel por erguer uma divisão que o defenda de atentados terroristas cometidos por palestinos durante a Intifada. Tampouco por reagir a disparos de foguetes contra o seu território. Devemos criticar Israel por manter as colônias ilegais na Cisjordânia, minando todas as perspectivas de os palestinos um dia terem o seu próprio Estado.

E os palestinos já desistiram de quase tudo. Desistiram do Mufti, que tomou decisões erradas quando podia ter contribuído para eles terem o seu Estado. Um professor me disse certa vez que aos palestinos faltou um Ben Gurion. Em vez disso, eles tiveram os líderes árabes que os levaram ao Nakba em uma guerra perdida para Israel em 1948 e em outras duas vezes – em 1967 e em 1973. Os palestinos lançaram pedras n os tanques israelenses na primeira Intifada, no fim dos anos 1980. Apoiaram Yasser Arafat quando este era considerado terrorista por grande parte do mundo e comandava os palestinos desde o seu bastião em Beirute. Também acreditaram no líder quando ele negociou a paz de Oslo. Mas Arafat e o Fatah se provaram corruptos e não conseguiram criar uma administração decente nas cidades palestinas devolvidas por Israel. Fracassaram. Tampouco reprimiram com dureza o Hamas e o Jihad Islâmico em seus atentados terroristas. Na verdade, criaram o seu próprio grupo, chamado Brigadas dos Mártires de Al Aqsa. Israel também não cumpriu com a sua palavra. O prêmio Nobel da Paz Shimon Peres seguiu com a construção ilegal de assentamentos, desrespeitando os acordos com a Autoridade Palestina e resoluções da ONU.

Desiludidos, os palestinos elegeram o Hamas em 2006. Israel havia se retirado de Gaza no ano anterior, apesar de manter o controle aéreo e marítimo e, em muitos momentos, bloquear a fronteira. Mas o grupo islâmico podia ter desenvolvido uma administração viável no território mesmo assim. O problema é que o Hamas, em vez de investir em escolas e saúde, preferiu traficar foguetes e morteiros para provocar os israelenses com suas chuvas de disparos diárias com Sderot e Ashkelon. Hoje, ganharam uma guerra. Podiam ter contruído um país. Quem sofre, no final, são os palestinos, que já não têm mais a quem recorrer. Não existe nada para ocupar o lugar do Fatah e do Hamas. A saída, para muitos deles, é dar um CTRL+ALT+DEL e começar tudo de novo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.