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Diário de Beirute – A história da sinagoga e dos armênios libaneses

gustavochacra

07 de dezembro de 2010 | 03h44

Beirute é uma cidade de quase todas as religiões. De Ortodoxos a Assírios, de Sunitas a Xiitas, de Druzos a Alauítas. Ainda há poucos, muito poucos, judeus. E bastante armênios. Uns estiveram aqui por séculos. Outros chegaram há décadas. O símbolo do judaísmo no Líbano era a sinagoga no centro da cidade. Como o restante desta região hoje completamente renovada, foi destruída na guerra civil acidentalmente por Israel na invasão de 1982.

Os judeus libaneses faziam parte do caldeirão religioso libanês, dando o caráter cosmopolita para esta cidade de cristãos ortodoxos, sunitas e xiitas. Depois da criação do Estado de Israel, a população judaica do Líbano cresceu, em vez de diminuir. Eram os judeus sírios, que optaram pela francófona e cosmopolita Beirute que tinha muito mais a ver com eles do que Tel Aviv.

A OLP chegou no fim dos anos 1960 e os judeus passaram a não se sentir mais em casa. A guerra civil foi o golpe final. Eles imigraram para São Paulo, Nova York, Buenos Aires, Paris e Israel. Poucos ficaram. A sinagoga foi destruída acidentalmente em ação israelense contra a Amal. E os judeus libaneses esquecidos.

No último ano, a pequena comunidade libanesa com ajuda da diáspora e de libaneses de outras religiões decidiram reerguer a sinagoga. Eu a vi destruída e, ontem, reconstruída. Tentei tirar foto na rua vazia no centro de Beirute. O segurança não deixou. Mas pelo menos sabemos que o judaísmo volta a ter presença na tolerante Beirute.

À noite, foi a um restaurante armênio. Estes são mais recentes. Começaram a chegar no fim do século 19, começo do 20. Fugiam da perseguição dos turcos. No Líbano, os armênios, que são cristãos, receberam cidadania. Hoje, se sentem 100% libaneses. São uma rara comunidade querida por todos. Tanto que o Líbano, apesar das boas relações com a Turquia atualmente, sempre reconheceu o genocídio armênio. Diferentemente dos Estados Unidos e do Brasil, que fingem não ter existido o massacre desta população cometido pela Turquia.

Encontro de final de ano do blog

Local: Empório Alto dos Pinheiros (o segundo andar está reservado somente para nós)

Endereço: Rua Vupabussu 305 (ao lado da Igreja da Cruz Torta), Pinheiros, São Paulo

Dia: 11 de dezembro

Horário: a partir das 14 hs

Comanda Individual: cada um paga só o que consumir

Participantes: este ano o encontro será familiar. Levem seus convidados


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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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