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Diário de Beirute – Libaneses falam de sexo ao Hezbollah, de música a Israel

gustavochacra

09 de dezembro de 2010 | 06h47

Do Cairo a Damasco, de Istambul a Jerusalém, de Teerã a Dubai, quase todas as cidades grandes do Oriente Médio com mais de dois séculos de história possuem um suq. No Líbano, também há em Trípoli, Sidon, Tyro e Baalbeck. Mas não em Beirute. Pelo menos da forma como conhecemos, com mercados de ouro, especiarias, tecidos e souvenirs.

Até 1975, existia um suq no centro da cidade. A guerra civil acabou o destruindo, assim como todo o restante desta parte de Beirute onde todas as religiões se misturavam em suas igrejas ortodoxas, maronitas, melquitas e armênias, nas suas mesquitas e na sinagoga.

Na reconstrução, a empresa Solidere, de Rafik Hariri, reconstruiu quase todos os imóveis do centro de Beirute. Mas o Suq não foi reerguido. Em vez disso, decidiram construir uma espécie de shopping. Porém, diferentemente do Iguatemi ou do Eldorado, ou mesmo o ABC de Ashrafyeh, não há uma sequência de lojas em galerias de mármore iguais às de Miami, Abu Dhabi, Belo Horizonte e Buenos Aires. O Beirut Suqs, como é chamado, reúne todas as principais grifes internacionais como se estivessem em um mercado árabe, em uma Beirute antiga misturada à moderna.

Na noite de ontem, estive no bar de um dos novos hotéis do centro de Beirute, perto do suq. Fica na cobertura. Do alto, dá para observar as torres das igrejas e da gigantesca mesquita construída por Hariri. Dentro, mulheres e homens que poderiam estar nos Jardins ou no Leblon escutam bossa nova no piano.

As conversas tocam em questões políticas do Oriente Médio, mas migram rapidamente para Nova York, esportes, música, sexo, casamentos. Nada muito diferente se fosse em São Paulo, no Rio ou em Tel Aviv. Eles não respiram o tempo todo “Hezbollah”, “Israel”, “Síria”.

Os libaneses, assim como os sírios, os israelenses, os palestinos, são como os brasileiros, argentinos, americanos, franceses. Querer ver diferenças profundas não passa de uma visão de quem não conhece o Oriente Médio, ou o Mediterrâneo Oriental, como deveriam ser chamados estes países. Como eu gosto de dizer, são pessoas que nunca viram um muçulmano ao vivo, nunca conversaram por horas com um judeu, não sabem o que é um cristão ortodoxo.

Encontro de final de ano do blog

Local: Empório Alto dos Pinheiros (o segundo andar está reservado somente para nós)

Endereço: Rua Vupabussu 305 (ao lado da Igreja da Cruz Torta), Pinheiros, São Paulo

Dia: 11 de dezembro

Horário: a partir das 14 hs

Comanda Individual: cada um paga só o que consumir

Participantes: este ano o encontro será familiar. Levem seus convidados

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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