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Diário de Beirute – A realidade libanesa é a guerra ou a boa vida da elite?

gustavochacra

08 de dezembro de 2010 | 05h11

Beirute e Tel Aviv são duas bolhas. Vivem em mundos completamente separados do que está ao seu redor. Se o Oriente Médio fosse como estas duas cidades, talvez falássemos da região de uma forma similar à que descrevemos Barcelona, para ficar em um exemplo fácil.

Mesmo a cidade espanhola, uma das mais celebradas do Mediterrâneo, não pode ser comparada às metrópoles israelense e libanesa. Difícil encontrar dois lugares tão vibrantes, com banqueiros, artistas plásticos, diretores de cinema, médicos. São cidades na vanguarda da culinária, das artes e das finanças.

O problema está no entorno. E em como estas duas sociedades liberais e cosmopolitas ignoram – ou tentam ignorar – os radicais que vivem ao lado. O embaixador da Noruega em Tel Aviv deixou claro que seu país não tem nada contra Israel. Apenas contra a ocupação israelense dos territórios palestinos.

Pregar a destruição de Tel Aviv é inaceitável. O que criticam são os assentamentos na Cisjordânia. O Líbano tampouco é condenado por ter suas baladas, bancos e culinária entre as melhores do mundo. O problema está nos armamentos do Hezbollah.

Visitei o sul mais uma vez nesta semana. E não entendo o argumento da organização xiita para carregar armas. Israel desocupou o Líbano, apesar de ainda manter presença em pequenas áreas disputadas entre sírios e libaneses. Não há necessidade mais de manter todo aquele arsenal. Afinal, o que o Hezbollah quer agora? Destruir Tel Aviv? Se o fizer, estará automaticamente destruindo Beirute, pois haveria uma dura  resposta israelense.

Israel seria melhor sem os assentamentos. E o Líbano também teria mais estabilidade se o Hezbollah – e todas as outras milícias, incluindo cristãs, druzas e sunitas – fossem desarmadas. A defesa libanesa deve ser feita pelo Exército. Se os membros do Hezbollah querem defender o Líbano, que sejam integrados às Forças Armadas.

A elite libanesa de Beirute também dava festa, tomava sol na praia, bebia vinhos, consumia em lojas, namorava e viajava para Paris em 1975 e 2006. E enfrentaram duas guerras. Agora, nas ruas elegantes de Ashrafyeh, com suas igrejas, à mais emergente e sunita Verdun, passando pela Cartier e Fendi no centro e mesmo o complexo Al Saha na xiita Dahieh, a capital libanesa parece mais uma vez preparada para ocupar o posto de destino mais atraente do Mediterrâneo Oriental. Mas, assim como nos anos anteriores, um novo conflito pode jogar o Líbano de volta para a realidade do Oriente Médio

Encontro de final de ano do blog

Local: Empório Alto dos Pinheiros (o segundo andar está reservado somente para nós)

Endereço: Rua Vupabussu 305 (ao lado da Igreja da Cruz Torta), Pinheiros, São Paulo

Dia: 11 de dezembro

Horário: a partir das 14 hs

Comanda Individual: cada um paga só o que consumir

Participantes: este ano o encontro será familiar. Levem seus convidados

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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