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Direto de Beirute – Entenda a questão dos refugiados sírios

gustavochacra

06 de junho de 2013 | 19h03

Refugiado sírio é uma expressão usada para designar milhões de pessoas que deixaram as suas casas. Mas o destino delas depende da região onde ela mora, se apoia o regime ou a oposição e se possui recursos financeiros.

Hoje estive na fronteira do Líbano com a Síria. Não está diferente do que era antes do início da guerra civil síria. Inclusive, muitas pessoas continuam indo de Beirute a Damasco sem problemas. O regime controla integralmente a estrada e não houve nenhum episódio de violência até agora.

Tampouco há milhares de pessoas chegando. Todos os dias, cruzam algumas centenas de refugiados em direção ao Líbano. Os que possuem dinheiro e são contra Bashar al Assad seguem em direção a Beirute, onde já alugaram um apartamento ou se hospedam em hotéis.

Já os mais pobres podem ir a um trailer logo depois da fronteira bancado por uma organização islâmica do Qatar. Pegam um colchão, uma manta e uma caixa de comida. Não existe campo de refugiados da ONU para sírios no Líbano porque os libaneses temem que eles permaneçam indefinidamente.

Sem alternativa, os sírios vão para alguns campos montados por estas organizações do Golfo Pérsico. Não existe nenhuma ajuda de países ocidentais, apenas para ficar claro. Estes campos lembram muito os que eu vi no Haiti.

Caso a pessoa seja simpatizante de Assad, não há necessidade de deixar a Síria. É o que acontece com os cristãos de Aleppo. Como a cidade está em guerra, eles partem para Damasco, totalmente nas mãos do regime. Outras opções são Tartus e Lataquia, outros bastiões de Assad, na costa Mediterrânea.

Refugiados na Jordânia estão em uma situação bem melhor pois existe estrutura da ONU. O mesmo se aplica à Turquia, mas lá há o complicador da língua.

O certo é que teremos por muitos anos mais um problema com refugiados, repetindo o que aconteceu com os palestinos e os iraquianos. Mas, pelo que conversei hoje com alguns sírios, a principal questão não é mais a queda de Assad. Eles querem mesmo o fim da guerra, independentemente do resultado. Só não querem continuar vivendo de ajuda.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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