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DIRETO DE HONDURAS – Tegucigalpa é como se fosse uma cidade média do interior

gustavochacra

06 de julho de 2009 | 00h57

Esta semana, o blog está em Honduras e cuida também da América Latina, e não apenas do Oriente Médio

O aeroporto de Tegucigalpa é bem menor do que um JFK, do que um Cumbica. Imaginem o aeroporto de São José do Rio Preto, Porto Seguro ou de uma cidade ou capital média brasileira. É mais ou menos deste tamanho.

Tegucigalpa também não pode ser comparada a Lima, Cidade do México ou Santiago. O centro tem algumas construções coloniais, nenhum prédio, um comércio popular, Burger King e uma igrejinha cor-de-rosa que eles chamam de catedral. A estátua, na praça, seria de um líder nacional, o general Morazán, mas especula-se que, na verdade, é de um general francês.

Não há na capital hondurenha um bairro como os Jardins, Recoleta, Polanco ou Providencia. Não há uma avenida como o Paseo de La Reforma ou a Paulista. Honduras é pequena, bem pequena, pobre, bem pobre.

Alguns milhares de hondurenhos apóiam Manuel Zelaya. Outros milhares de hondurenhos apóiam o governo de Roberto Micheletti. Não há diferenças entre eles. Seriam como líderes políticos coronelistas de algumas regiões do Brasil nos anos 1960. Aqui não há xiitas contra sunitas, israelenses contra palestinos (apesar da elevada imigração), religiosos contra seculares, ricos contra pobres.

Parte deles se reuniu ontem diante do pequeno aeroporto. Eles se entusiasmaram quando o avião de Zelaya sobrevoou a pista. Acreditavam que não se tratava de um show do presidente deposto. Estavam ali para fazer história. Mas, no fim, xingavam os soldados de assassinos. Militares fraquinhos. Nada a ver com aquela imagem de soldados americanos. De verdade, eram muito humildes e cumpriam ordens.

Não colocavam obstáculos ao trabalhos dos jornalistas. Dois deles vieram conversar comigo. Queriam saber de que país eu era. Disse que do Brasil. Perguntaram das mulheres brasileiras e acrescentaram que torcem para a gente na Copa. Eu os questionei sobre quem apoiavam. Responderam que tanto faz. Em Honduras, no fundo, Micheletti, Zelaya, não tem muita diferença.

E Tegucigalpa, sob toque de recolher, foi dormir com a sua cópia do Cristo Redentor no alto de uma montanha, com uma placa da Coca-Cola abaixo, e as luzes nas favelas que, ao anoitecer, com a lua cheia, escondem um pouco a feiúra desta cidade que encanta pela simplicidade.

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