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Do Brasil à Líbia – A importância de Bin Laden nos levantes árabes é igual à de Guevara nas Diretas Já

gustavochacra

25 de fevereiro de 2011 | 11h41

No twitter @gugachacra

O líder da Líbia Muamar Kadafi disse que Osama Bin Laden drogou os jovens líbios para que eles levassem adiante as manifestações opositoras que podem encerrar uma ditadura de mais de quatro décadas. Bobagem. Não apenas as drogas, como todo o mundo deve ter percebido. Mas a influência do terrorista da Al Qaeda.

A importância de Bin Laden para os levantes na Tunísia, Egito e Líbia é a mesma de Che Guevara para o fim dos regimes militares no Brasil e na Argentina nos anos 1980 – zero. Verdade, o saudita provavelmente ainda está vivo em algum lugar na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, enquanto o ex-jogador de rugby argentino já havia sido morto nas selvas bolivianas. Mas ambos teriam impacto como símbolos de um ideal.

O de Che Guevara era a instalação de regimes comunistas nos moldes cubanos ao redor da América Latina e de outras partes do mundo. Bin Laden varia entre uma guerra contra a liberdade ocidental e a instalação de um califado medieval próximo ao que existiu no Afeganistão do Taleban nos anos 1990.

Em 1982, depois da Guerra das Malvinas/Falklands, e em 1984, na campanha pelas Diretas Já, argentinos e brasileiros queriam apenas o fim dos regimes militares. A não ser por algumas exceções, ninguém defendia um governo comunista em Brasília ou Buenos Aires.

O mesmo vale hoje para o mundo árabe. Os manifestantes nas ruas não querem uma revolução islâmica. Defendem apenas liberdade e o fim de autocratas tirânicos como Hosni Mubarak, Ben Ali e Kadafi. Há quem queira um viés mais conservador em questões religiosas, como a Irmandade Muçulmana. Mas mesmo estes não querem um regime islâmico.

No fim, poderá haver regimes como o de Raul Alfonsín, que veio da oposição da União Cívica Radical. Ou ex-membros do regime que como cameleões conseguem se adaptar aos novos tempos, como José Sarney. Por sinal, entre idas e vindas, há mais tempo no poder do que qualquer líder árabe. Inacreditável, mas isso ocorre no democrático Brasil.

Leiam os blogs do Ariel Palacios, da Adriana Carranca, da Claudia Trevisan, do Marcos Guterman e o Radar Global, sob o comando do Luiz Ratz. E façam pressão para que a Denise Chrispim, correspondente em Washington, comece o dela

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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