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Do Cairo a Jerusalém – O Egito provoca Israel

gustavochacra

26 de agosto de 2011 | 08h58

 no twitter @gugachacra

Israel pode ser criticado em diversos pontos na sua relação com os palestinos. Mas os israelenses foram 100% corretos nestas três décadas de acordo de paz com o Egito. Desocuparam o Sinai, estabeleceram laços comerciais, incentivaram o turismo e ainda são indiretamente responsáveis pela ajudar militar americana às Forças Armadas egípcias.

Em nenhum momento ao longo dos últimos 30 anos Israel feriu a soberania do Egito ou abriu espaço para um conflito entre os dois países. Porém tudo começou a mudar depois da queda de Hosni Mubarak. Não pelo lado israelense, mas pelo egípcio.

Enquanto Israel seguiu firme em seu compromisso com a paz, assinada com Anwar Sadat, e não com Mubarak, o Egito começou a se afastar. Abandonou o Sinai, onde atividades terroristas se intensificaram. Agora, um milhão de pessoas irão às ruas do Cairo para protestar contra o acordo de paz com Israel. Um tratado que deixou o Egito mais seguro e mais rico. E que foi assinado com um Estado, e não um governo.

Não sei o que estes egípcios querem. Outras quatro guerras como as que foram derrotados no século passado, em 1948, 1956 (sem os americanos, Suez não seria mais egípcio), 1967 e 1973? Boa sorte para eles. Tenham certeza, em qualquer conflito contra Israel, nas próximas gerações, serão derrotados.

Os israelenses também precisam dos egípcios por estarem em uma região hostil. O ministro da Defesa, Ehud Barak, abriu mão de parte do acordo – assinado, e não imposto, pelos egípcios – e permitirá que tropas do Exército patrulhem o Sinai. Vamos ver se funcionará.

Lembro apenas que, quando Mubarak caiu, em manifestações espontâneas, não havia atos contra os israelenses. O engraçado é que agora, em um protesto organizado, alvejarão Israel. Quem está por trás de tudo isso?

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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