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Do Cairo a Manama – Com maioria xiita, Bahrein deve ter guerra civil e fim de monarquia

gustavochacra

17 de fevereiro de 2011 | 08h57

No Twitter @gugachacra 

Vim de Nova York para São Paulo por uns dias e, no domingo, encontrarei os leitores do blog no bar Empório, na Vila Madalena, às 14h

Uma guerra civil pode estourar em Bahrein. E o resultado do levante nesta pequena monarquia de 740 mil habitantes do Golfo Pérsico deve levar a rebeliões na Arábia Saudita. Assim como o Iraque, o Bahrein tem uma maioria xiita (70% da população nativa). Mas o controle, da mesma forma que Bagdá nos tempos de Saddam Hussein, está nas mãos dos sunitas (30%).

Estes xiitas, mesmo antes dos protestos na Tunísia e no Egito, já se rebelevam contra a monarquia. Até para empregos comuns, os monarcas optavam por expatriados, que totalizam 230 mil pessoas. As forças policiais são compostas em sua maioria por nativos de outros países.

Agora os xiitas querem, no mínimo, transformar o Bahrein em uma monarquia constitucional. Alguns opositores mais radicais falam em derrubar a família Bin Khalifa, no poder desde o século 18, quando fizeram um pacto para se tornar um protetorado britânico. Em 1971, ficaram independentes. Ironicamente, o Bahrein apenas existe como uma entidade não integrante dos Emirados Árabes Unidos por pressão iraniana.

A monarquia tenta se salvar com negociações, mas mortes ontem deterioraram o cenário. Eles não defendem a instalação de um regime islâmico como no Irã e seriam próximos dos xiitas iraquianos, que tendem a ser mais moderados em questões políticas do que os de Teerã.

Quatro outros pontos devem ser observados nos levantes de Bahrein. Primeiro, desta vez haverá expatriados envolvidos, o que não ocorria no Egito e na Tunísia. Os protestos são contra uma monarquia absolutista, não contra uma república ditatorial. O alvo é um país produtor de petróleo. E, mais importante, pode afetar a Arábia Saudita, onde os xiitas são minoria dentro do mais radical Estado sunita (e talvez islâmico) do mundo.

Antes que me esqueça, há uma corrida de Fórmula 1 prevista para o mês que vem em Manama. 

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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