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Do Cairo a Teerã – Israel luta por sua existência no futuro

gustavochacra

21 de julho de 2010 | 08h30

Israel teve dois momentos em sua história – um em que era ameaçado e outro com a sua existência consolidada. Agora parece entrar no terceiro, mais próximo do primeiro. Por este motivo, existe muita ansiedade no país, mais preocupado com o Irã do que com os palestinos. Na primeira etapa, de 1948 a 1973, os israelenses lutaram pela sua sobrevivência. Tiveram que combater alianças de países árabes e, nesta época, caso o Egito, a Jordânia e a Síria fossem mais organizados, Israel poderia ter sido destruído.

Com as arrasadoras vitórias de 1967 na Guerra dos Seis Dias e, seis anos mais tarde, na Guerra do Yom Kippur, Israel se consolidou como potência na região. A ameaça à sobrevivência se reduziu, sendo praticamente eliminada depois da assinatura dos acordos de paz de Camp David com o Egito, no fim dos anos 1970.

Neste período, os israelenses se envolveram em três guerras. Primeiro, ao invadirem o Líbano em 1982. Vinte quatro anos mais tarde, mais uma vez lutaram no território libanês. E, no fim de 2008 e começo de 2009, ocorreu a Guerra de Gaza. Não podemos esquecer também dos ataques de Saddam Hussein contra Tel Aviv na Guerra do Golfo, em 1991 – Israel não respondeu, a pedido dos Estados Unidos. Nenhum destes conflitos, apesar das mortes que provocaram, ofereceram riscos a Israel.

A partir de 2005 e especialmente nos últimos três anos, os israelenses voltaram a ver sua existência ameaçada, entrando na terceira etapa. Com a queda do regime de Saddam no Iraque e a do Taleban no Afeganistão, em guerras lideradas pelos americanos, o Irã se viu livre se seus inimigos nas suas fronteiras. E decidiu intensificar o seu programa nuclear. Segundo os EUA e seus aliados europeus, para desenvolver armas atômicas – o regime de Teerã nega.

Este programa somado aos ataques feitos a Israel pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad levaram Israel a temer novamente pela sua existência, assim como nos anos 1950 e 1960. E, ironicamente, desta vez a ameaça não é de um país árabe. Na avaliação de muitos em Israel, inclusive de integrantes do governo, o risco de um Irã atômico não será eliminado com sanções, mas apenas com guerra. É a lição dos conflitos anteriores.

Como escrevi aqui uma vez, os palestinos lutam para existir no presente. E os israelenses lutaram para existir no passado e lutam para existir no futuro.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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