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Do Cairo a Trípoli – Kadafi é o pior ditador do mundo árabe

gustavochacra

21 de fevereiro de 2011 | 07h50

Foi ótimo o encontro com os leitores ontem em São Paulo. Amanhã, retorno para Nova York
no Twitter @gugachacra

Os ditadores do mundo árabe não são iguais. O pior de todos é Muamar Kadafi, da Líbia.  Ele não pode ser comporado a Hosni Mubarak, Ben Ali, rei Abdullah da Jordânia ou Bashar al Assad. O líbio é uma figura psicótica e assassina mais próxima de um genocida como Saddam Hussein. Seus hábitos ridículos vão da enfermeira ucraniana às tendas “cinco estrelas” que ele gosta de montar em suas viagens. Seu discurso na ONU em 2009 foi dos episódios mais patéticos da história da organização. Manda assassinar seus opositores sem a menor vergonha.

Tenham certeza de que Kadafi matará o número de opositores que for necessário para tentar conter os levantes. O líder líbio, que já assumiu apoio a um atentado terrorista nos anos 1980, não tem o menor medo da justiça internacional. Ele sobreviveu a embargos e bombardeios americanos. Vai massacrar seu povo com o argumento mentiroso de que enfrenta uma guerra civil patrocinada por forças estrangeiras, conforme disse seu filho Saif. 

Nos últimos dias, expliquei que o Bahrein pode rumar para uma guerra civil entre sunitas e xiitas. O Yemen corre o risco de se transformar em uma Somália piorada, com separatistas no sul, crescimento da Al Qaeda, da pirataria e levantes da minoria Houthi no norte. Já a Líbia pode caminhar para um massacre de sua própria população. Difícil dizer se Kadafi conseguirá se manter no poder. Mas, se cair, será em meio a muitas mortes.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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