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Do Pacaembu a Cisjordânia – Como a Mancha Verde explica a foto da soldada de Israel no Facebook

gustavochacra

17 de agosto de 2010 | 09h26

Existem pessoas que vibram quando o inimigo de suas idéias comete algum atentado A felicidade supera muitas vezes a dor pelas vítimas. Vale tudo para defender um ponto de vista. Celebram se um ataque terrorista foi cometido por muçulmanos. Agora, aconteceu o inverso.

Críticos de Israel difundem fotos de uma ex-soldada publicada no Facebook ao lado de prisioneiros palestinos algemados e com os olhos vendados. E começam a dizer – “veja como os israelenses são maus”. O problema é que foi apenas uma soldada que teve esta iniciativa infeliz – talvez duas ou três, porque alguém tirou a foto. Esta imbecilidade dela prejudicou outras dezenas de milhares de militares israelenses que tratam os prisioneiros palestinos de acordo com as leis internacionais.

Eden Abergil não representa o pensamento de Israel. O Exército condenou a sua atitude. Da mesma forma que todos os principais grupos islâmicos e árabes condenaram a ação de um militar americano de origem palestina que matou outros soldados dos EUA na base de Fort Hood, no Texas – quem lê o Estadão viu reportagem minha com frases de diversas lideranças islâmicas americanas na época.

Para entender estes episódios, basta observar a relação Mancha Verde-Palmeiras. Existem cerca de 10 milhões (é estimativa minha) de palmeirenses no Brasil. Destes, 2 milhões devem seguir o alviverde. E apenas 50 mil costumam ir ao estádio uma vez por mês. Deste total, cerca de 10% (5 mil) integram a torcida organizada. Entre eles, haveria 500 radicais. Dez seriam capazes de cometer um crime (isso tudo é chute). Um deles acaba matando um torcedor do São Paulo depois do jogo.

Um corintiano, de fora, pode dizer – “Veja como os palmeirenses são violentos”. Note que se aplica o ato de um torcedor a todos os outros que amam o Palmeiras. É exatamente isso que ocorreu no episódio das fotos no Facebook. A ex-soldada Abergil seria a o equivalente deste torcedor criminoso. O mesmo vale para o palestino que cometeu o atentado em Fort Hood.

Os outros 99,9999% são ignorados. Ninguém se interessa pelo que eles dizem. Apesar de condenarem os atos, não são escutados. Dizem – “veja, este palmeirense matou o são-paulino e ninguém fala nada”. Mas o pior é que falam, o problema é de quem não quis escutar.

A imensa maioria dos membros da Mancha Verde são palmeirenses comuns. Os mesmos torcedores radicais que prejudicam a imagem do Palmeiras, também prejudicam os outros da Mancha Verde, que são tratados como criminosos pela polícia, apesar de serem apenas palmeirenses.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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