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Do Upper East a Higienópolis – Quinta Avenida tem metrô, mas a Avenida Angélica, não

gustavochacra

11 de maio de 2011 | 19h37

no twitter @gugachacra

Li agora que alguns moradores de Higienópolis fizeram um lobby para que não seja construída uma estação de metrô no bairro. Eles argumentam, segundo abaixo-assinado, que haveria “um aumento de ocorrências indesejáveis, afetando a qualidade de vida dos moradores que estão acostumados a andar a pé”. Também ocorreria “um aumento natural do comércio ambulante e, pelo tamanho previsto da Estação Angélica, pode virar um camelódromo”.

Ironicamente, o endereço mais valorizado do mundo é a Quinta Avenida, em Nova York. E esta via tem uma linha de metrô justamente na sua esquina mais famosa, com a rua 60, ao lado da loja de brinquedos FAO, do Hotel Plaza e da filial mais importante das lojas da Apple. Os moradores da área não reclamam, apesar dos turistas.

A Lexington, que cruza o Upper East Side, bairro mais caro de Nova York, tem estações na 59, diante da Bloomingdale’s, na 67, 76 e 86. Estão construindo uma nova linha, na Segunda Avenida. Tribeca e o West Village, outros endereços disputados da cidade americana, também possuem linhas do metrô. Em Nova York, o acesso ao transporte público valoriza os imóveis.

E, vale lembrar, Higienópolis sequer é o bairro mais valorizado de São Paulo. Fica atrás da Vila Nova e dos Jardins. Neste, há estações no Trianon, na Consolação e na Oscar Freire. De uma forma ou de outra, Cerqueira César, que seria o nome verdadeiro dos Jardins, está mais perto da Quinta Avenida do que Higienópolis. Até Maadi, bairro da elite do Cairo, tem a sua estação do metrô. Verdade, Damasco, Porto Príncipe e Sanaa não possuem este meio de transporte. Acho que estes moradores de Higienópolis gostariam de morar no Yemen.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, da Claudia Trevisan, em Pequim, e o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br e do jornal O Estado de S.Paulo”

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios