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Por que um Drone dos EUA mata convidados de casamento no Yemen se Al Qaeda está na Síria?

gustavochacra

13 de dezembro de 2013 | 12h29

Os Drones, como são conhecidos os aviões  não tripulados de controle remoto, são usados há cerca de uma década pelos Estados Unidos para combater o terrorismo. Depois da chegada de Barack Obama ao poder, o uso destes robôs voadores se intensificou tanto por questões estratégicas, como também por avanço tecnológico. Milhares de pessoas teriam sido mortas, com o número de baixas da Al Qaeda e de civis variando de acordo com a fonte.

No início deste ano, a questão dos Drones ganhou uma dimensão ainda maior. A opinião pública finalmente começou a questionar o uso destes aparelhos. O documentário Dirty Wars, do jornalista Jeremy Scahill, e o senador republicano Rand Paul, de viés libertário, se tornaram os maiores críticos destas operações.

Obama, depois das críticas, há mais de seis meses, disse que seria mais transparente em relação às operações com Drones. Houve até uma redução no número de ataques destes aparelhos, mas as ações já voltaram ao normal. Ontem um comboio de carros que voltava de um casamento no Yemen foi alvejado por  um Drone. Ao menos 11 pessoas morreram. Algumas fontes dizem que há membros da Al Qaeda e civis entre as vítimas. Outras afirmam que todas eram civis. O governo Obama, porém, não foi transparente, deixando claro que o discurso do presidente meses atrás foi apenas retórica.

  Existem três questões envolvendo o uso de Drones – a legal, a moral e a estratégica. Na moral, critica-se os EUA por matarem remotamente pessoas, muitas vezes civis. Na legal, a ausência de um julgamento dos acusados, mesmo quando estes seriam supostamente membros da Al Qaeda – e se não forem? E a estratégica se dá na eficiência destes ataques.

 Portanto a parte moral e legal permanecem inalteradas. Ninguém tem julgamento, não há transparência e aparentemente civis ainda são mortos. E a estratégica? Sem dúvida a Al Qaeda no Paquistão e no Afeganistão se enfraqueceu. Já o resultado dos ataques no Yemen, onde está a Al Qaeda da Península Arábica, são mais ambíguos. Por último, de que adianta atacar a Al Qaeda nestas regiões, se os braços mais ativos da organização estão na Líbia e, acima de tudo, entre os grupos opositores da Síria como o ISIS e a Frente Nusrah? Não precisa ser especialista em contraterrorismo para saber que as áreas controladas pelos rebeldes na Síria serão em breve o novo bastião da rede fundada por Bin Laden.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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