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É certo negociar a libertação de prisioneiros com grupos terroristas como o ISIS?

gustavochacra

22 de agosto de 2014 | 10h33

Organizações terroristas ou guerrilheiras, ao redor da história, costumam utilizar a prática do sequestro de pessoas e, em um passado recente, até de aviões, para conseguir em troca a libertação membros detidos por seus adversários, demandas políticas ou o pagamento em dinheiro.

Os países podem ou não aceitar estas exigências. Israel em algumas ocasiões negociou com terroristas a troca de prisioneiros. Anos atrás, por exemplo, os israelenses libertaram centenas de palestinos em troca do soldado Guilad Shalit que estava nas mãos do Hamas. Em outras, optou por resgate, como na operação Entebbe, em 1976, quando conseguiu resgatar 102 de 106 pessoas em um avião da Air France, originado em Tel Aviv, que havia sido sequestrado pela Frente Popular pela Libertação da Palestina, do líder cristão palestino George Habash.

Nos últimos meses, os EUA se depararam com a decisão de negociar o resgate do jornalista James Folley com os membros do ISIS (também conhecido Estado Islâmico) ou tentar uma operação de resgate. Optaram pela segunda opção e não obtiveram sucesso.

Vale lembrar que o ISIS exigia o pagamento de US$ 130 milhões. Talvez também quisesse a libertação de membros da organização acusados de terrorismo.

1) Se os EUA concordassem em pagar, os resultados tenderiam a ser os seguintes

. O ISIS teria acesso a dezenas de milhões de dólares que poderiam ser usados para adquirir mais armamentos, conquistar mais territórios e massacrar mais iraquianos e sírios

 . O ISIS se sentiria incentivado a capturar mais americanos para demandar mais dinheiro dos EUA

 . Mais terroristas livres planejando atentados

 . O jornalista James Folley talvez estivesse vivo com a sua família

2) Se os EUA não concordassem em pagar, como ocorreu

. Como vimos, o ISIS matou o jornalista com requintes de crueldade. Esta atitude visa aumentar o poder de barganha da organização em futuras negociações. Afinal, deixa claro que não está blefando

 . Americanos sabem que, se forem sequestrados, não poderão contar com a ajuda de seu governo dos EUA

 . O ISIS viu que a estratégia de sequestros de americanos para conseguir dinheiro não funciona. Mas de outras nacionalidades, como franceses, sim

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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