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É certo ter estrangeiros na seleção brasileira de polo aquático?

gustavochacra

11 Agosto 2016 | 16h15

No passado, critiquei abertamente a CBDA por trazer estrangeiros para jogar na seleção brasileira de polo aquático que ontem conquistou a histórica vitória contra Sérvia, melhor seleção do mundo, na Olimpíada do Rio. Aos poucos, comecei a mudar de opinião. Ontem, meus amigos do polo aquático de infância me convenceram com bons argumentos de que a iniciativa tem um lado positivo.

Ao todo, as pessoas contabilizam seis estrangeiros, além do técnico croata Rudic, disparado melhor do planeta. Mas não é bem assim. Primeiro, o craque do time, Felipe Perrone, um dos melhores do mundo, nasceu e cresceu no Rio. Aos 16, foi atuar profissionalmente em Barcelona. Neto de espanhóis, tirou a cidadania e jogou pela Espanha. Agora, decidiu voltar a jogar pelo seu país na cidade onde nasceu na Olimpíada. Qual o problema?

Em segundo lugar, Paulo Salemi, italiano, e Adrian Delgado, espanhol, são filhos de brasileiros. Logo, são brasileiros, assim como a minha filha Julia, nascida em Nova York, e meu irmão mais velho, nascido em Dallas. Natural quererem representar a seleção brasileira. Eu adoraria um dia ter representado o Líbano, terra dos meus avós e nação com a qual me identifico.

Terceiro, naturalizaram o cubano Ives González. Mas ele mora no Brasil e casou com uma brasileira. É brasileiro. Sou um árduo defensor dos imigrantes nos EUA e também no Brasil. Considero o Ives tão brasileiro quanto brasileiros natos.

Por último, temos o goleiro sérvio Slobodan Soro, melhor do mundo no passado, e o craque croata Josip Vrlic. Neste caso, é mais complexo. Eles não nasceram no Brasil, não moraram no Brasil, não casaram com brasileiros e não são descendentes de brasileiros. Simplesmente, assinaram um contrato com a CBDA e receberam a cidadania. Por este motivo, eu via com relutância a presença deles no Brasil.

Mas meus amigos do polo brasileiros e também meu técnico na Universidade Columbia Igor, nascido na Sérvia, me apresentaram bons argumentos a favor da contratação deles. Sem Soro ou Vrlic, o Brasil faria uma boa campanha, mas não disputaria medalha. Se conquistarmos o ouro, prata ou bronze, o polo aquático pode finalmente se popularizar no Brasil, ficando um esporte como o vôlei e o basquete e deixando uma modalidade elitista, especialmente em São Paulo – no Rio, é mais popular. E Soro e Vrlic são fundamentais neste projeto. Portanto, embora relutante e talvez entusiasmado pela vitória de ontem e convencido por amigos, concordo com a participação do sérvio e do croata. Os demais atletas chamados de estrangeiros são brasileiros.

Obs. Claro, falo como um apaixonado por polo aquático, esporte que pratiquei tanto no Paulistano quanto na Columbia e onde fiz meus melhores amigos para a vida

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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