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É certo ter relações com a China e Arábia Saudita, mas não com Cuba?

gustavochacra

04 de fevereiro de 2015 | 12h35

Os EUA hoje se dividem entre os que apoiam a aproximação do governo de Barack Obama com Cuba e os que criticam. Há mais democratas, obviamente, entre os defensores da estratégia do presidente, embora também haja republicanos. E há mais republicanos entre os críticos, embora também haja democratas.

Os que criticam têm argumentos fortes e ultra legítimos. Cuba é uma ditadura, prende opositores, não tem imprensa livre, eleições democráticas e Justiça independente. Os EUA, portanto, não deveriam restabelecer relações com Cuba enquanto não houver democratização.

Quem adota este argumento, porém, deveria defender o rompimento das relações dos EUA com a China, Egito e Arábia Saudita, entre outros países. Afinal, são ditaduras. O regime chinês, que também se diz comunista, é ultra repressor. O saudita, nem se fale. Há um Apartheid contra as mulheres. O Egito recebe uma mesada de mais de 1 bilhão de dólares por ano e mata manifestantes da oposição.

Poderão dizer que a Arábia Saudita e o Egito são estratégicos geopoliticamente na região mais conturbada do mundo. Verdade. Os sauditas ainda têm petróleo. Também verdade. Não há como negar e isso explica a aliança com os EUA. E a China tem uma economia gigantesca e não há como, no mundo de hoje, não fazer negócio com os chineses. Também verdade.

Mas, neste caso, os críticos da aproximação com Cuba não valorizam tanto os direitos humanos como dizem. A não ser que joguem seu iPhone no lixo e se recusem a comprar produtos chineses, colocar gasolina com petróleo saudita no carro e vender armamentos para o regime egípcio. Neste caso, eles teriam razão. Caso contrário, são hipócritas. Não existe ser contra ter relações com Cuba por causa da ditadura, mas não ver problema nas ditaduras saudita e chinesa.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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