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É errada a informação de que muçulmanos matam 100 mil cristãos por ano, diz BBC

gustavochacra

07 Maio 2014 | 19h13

Não, os muçulmanos não matam 100 mil cristãos por ano, ao contrário do que uma estimativa difundida na internet pelo Centro de Estudos da Cristianismo Global, no Gordon-Conwell Theological Seminary. A BBC já desmistificou este número, usado em larga escala pela imprensa mundial depois de ser adotado pelo Vaticano. Segue a explicação abaixo sobre os motivos de ele ser errado (e muitos que o usam não sabem estar errado e não o fazem de má fé).

Primeiro, a maioria morreu na Guerra Civil do Congo. Cerca de 4 milhões morreram no conflito, segundo a BBC, em dez anos. O CSGC conta como 900 mil sendo cristãos e vítimas inocentes. Mas o Congo é majoritariamente cristão. São cristãos matando cristãos em muitos casos. O CSGC pega este valor errado de  900 mil  e divide por dez anos, chegando a 90 mil. 

Sobram 10 mil que pode ser sim o número de pessoas mortas em média por ano por serem cristãs. Neste caso, o número é inferior ao de muçulmanos mortos por serem muçulmanos apenas nos massacres na República Centro-Africana – o número de mortos em conflitos intra-muçulmanos, como no Iraque e no Afeganistão, é bem maior. Algumas entidades, como a International Society for Human Rights, trabalha em um número entre 7 e 8 mil cristãos mortos pela religião nos últimos anos.

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O curioso é que alguns dos cristãos que correm mais riscos são os sírios e eles são vítimas da oposição apoiada pelo Ocidente. E são aliados, na maior parte dos casos, de Bashar al Assad, Irã e Hezbollah. Assim como eram de Saddam Hussein, mas precisaram fugir, em sua maioria, depois da invasão americana. Para onde foram? Para a Síria.

Para terminar, eu já escrevi dois posts nesta semana condenando o deplorável sequestro das meninas na Nigéria, em sua maioria muçulmanas, não cristãs. No primeiro post, expliquei o episódio e o Boko Haram. No segundo, hoje, mostrando como, ao contrário do que dizem islamofóbicos, entidades islâmicas internacionais condenaram o episódio.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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