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É melhor um assassinato como o de Dubai ou invadir um país, como no Iraque?

gustavochacra

17 de fevereiro de 2010 | 14h08

O assassinato de um líder do Hamas em Dubai repercute cada vez mais. Para quem não sabe, no mês passado, o palestino Mahmoud al-Mabhouh estava hospedado em um hotel na cidade árabe quando foi morto. Em imagens gravadas por circuito fechado, aparecem os assassinos entrando no hotel e também no andar do integrante da organização palestina. As fotos dos 11 suspeitos, com seus nomes, também foram divulgadas. Seis nomes seriam de israelenses de origem britânicas, e um de um cidadão de Israel com origem americana. Porém as fotos dos passaportes não batem com a dos israelenses, que estão indignados com a situação.

Ninguém sabe ao certo quem seriam os responsáveis e o episódio abre espaço para todo o tipo de teorias da conspiração. Claro, o Mossad já realizou operações similares, especialmente nos anos 1970 e 1980. Na década seguinte, houve a fracassada tentativa de matar Khaled Meshal, principal líder do Hamas, na Jordânia. Os integrantes do Mossad injetaram um veneno no militante palestino, mas foram pegos por autoridades jordanianas. Apenas foram soltos depois de entregarem o antídoto e de Israel libertar o xeque Ahmed Yassin, líder espiritual da organização.

Existe uma possibilidade de realmente chegarem aos suspeitos desta vez, como na Jordânia. Dubai não é o Líbano, onde dá para entrar, fazer o serviço com calma, e ir embora . Além disso, os Emirados Árabes são importantes aliados americanos e ficaram extremamente irritados com o episódio. Até hoje, Dubai, Abu Dhabi e os outros emirados estabeleceram uma política de neutralidade nas questões mais importantes do Oriente Médio, nunca entrando em confronto direto com o Irã, Iraque ou Arábia Saudita. Verdade, há restrições a produtos israelenses, mas os dois países não são inimigos, como seria o caso, para ficar em um exemplo fácil, da Síria e de Israel (sem esquecer, porém, di estranho assassinato, em Damasco, do comandante militar do Hezbollah há dois anos).

Honestamente, acho improvável que algum governo árabe tenha levado adiante a ação. Qual seria o país? O Egito pode não ter excelentes relações com o Hamas, mas o senhor Mubarak quer mais é distância da questão palestina, e não mais envolvimento. A Jordânia tampouco teria o porquê de se meter nesta questão, apesar da antipatia em relação ao Hamas. A CIA? Difícil.

Segundo o diário israelense Haaretz, o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, “não negou diretamente o envolvimento no assassinado de Mabhou em um hotel de Dubai, dizendo apenas que Israel tem uma política de ambigüidade em questões de inteligência e que não há provas de que Israel esteja por trás do assassinato”.

Deixa aqui uma pergunta polêmica – O que é melhor? 1) assassinar um inimigo, da forma como foi morto o líder do Hamas, sem nenhuma outra vítima envolvida, ainda que desrespeitando a soberania de um terceiro país ou 2) invadir um país inteiro, como no caso dos EUA no Iraque, apenas para derrubar um ditador inimigo, deixando como resultado mais de cem mil mortos, sendo a maioria absoluta de civis, além de provocar a morte de três mil de seus jovens militares

obs. O blog vai ter uma plataforma mais moderna para comentários nos próximos dias, similar à do Link. Segundo o pessoal do portal do Estadão, será mais fácil para vocês postarem e para eu publicar. Acreditem, na plataforma atual, eu tenho que publicar um comentário por vez e todos vão para o final da página. Naqueles dias de temas mais polêmicos, preciso descer mais de cem. Agora, será mais fácil

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