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É óbvio que o Irã não abandonará programa nuclear

gustavochacra

08 de abril de 2013 | 09h20

DAQUI A POUCO, COMENTO SOBRE O FALECIMENTO DE MARGARET THATCHER

Era óbvio que as negociações envolvendo o programa nuclear iraniano realizadas no Cazaquistão fracassariam apesar dos esforços do Sexteto, composto pelos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha. Não há incentivos para o regime de Teerã abandonar a sua busca pela bomba atômica. As sanções são ineficazes para atingir este objetivo e afetam apenas a população.

Existem duas opções para o Irã. Seguir em busca da arma atômica ou abrir mão de seu programa nuclear, que não tem fins pacíficos, apesar da insistência do regime de Teerã e de alguns ingênuos acreditarem.

Caso opte pela primeira opção e consiga este armamento, o Irã se sentiria seguro como a Coreia do Norte, podendo levar adiante provocações como a do regime de Pyongyang. Ninguém irá bater de frente com uma nação com arsenal nuclear.

Se optar pela segunda opção, o regime iraniano corre o risco de acabar como Muamar Kadafi, que abandonou seu programa nuclear, pagou indenizações para vítimas de terrorismo, abriu o país para investimentos estrangeiros e doou dinheiro para campanhas na Europa e, mesmo assim, foi derrubado em um misto de intervenção da OTAN e ações de milícias opositoras.

O Ocidente tem duas opções no Irã. Pode levar adiante um arriscado ataque preventivo, como defendem alguns israelenses, e frear por pelo menos algum tempo o programa nuclear. Ou podem aceitar um Irã nuclear e viver dentro da Teoria da Mútua Destruição Assegurada.

Eu acho que o espaço para sucesso de um ataque preventivo não existe porque, caso contrário, Israel já teria realizado, como fez no Iraque no início dos anos 1980 e na Síria em 2007. Se fosse possível, teria feito o mesmo no Irã.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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