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E se a França fosse a grande potência mundial? Veja o que ocorreu na Líbia…

gustavochacra

25 de junho de 2015 | 10h11

Algumas pessoas têm mania de achar que os EUA são responsáveis por todas as guerras que vão mal no mundo. Sem dúvida, a intervenção no Iraque foi grotesca. Mas, no geral, os EUA talvez sejam a melhor potência possível. Imagine como seria se a ditatorial China ou a Rússia dominassem o planeta? Dá para ter uma ideia pela ex-União Soviética. E, obviamente, não seria melhor, como não foi no passado, se britânicos ou franceses fossem as grandes potências.

A França, como sabemos, levou adiante a Guerra da Argélia nos anos 1960, incomparavelmente mais sangrenta do que a do Iraque. E, na Primavera Árabe, foi responsável direta pela Guerra da Líbia, com dezenas de milhares de mortos e esquecida por algum motivo, apesar de o país ser controlado por milícias extremistas, muitas delas ligadas à Al Qaeda e ao ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

A Líbia era, até 2011, uma ditadura estável comandada por Muamar Kadafi. Não muito diferente da Arábia Saudita, aliada de americanos e franceses. Com a diferença de as mulheres terem mais direitos em Trípoli do que em Riad, embora, claro, bem aquém de nações ocidentais. O regime de Kadafi era péssimo, mas havia abdicado de seu programa de armas de destruição em massa e, por mais maluco que fosse, vinha adotando um tom moderado.

Na época, no entanto, a França conseguiu convencer outras nações de que era necessária uma intervenção para apoiar rebeldes e derrubar Kadafi. Vimos o resultado, tão ruim quanto no Iraque, onde, por pior que esteja, há um governo eleito na capital Bagdá.

Segundo e-mails tornados públicos neste mês pelo Congresso dos EUA que investiga o atentado terrorista em Benghasi, um agente da CIA claramente afirmou em 22 de março de 2011 que  os serviços de inteligência da França, então presidida por Sarkozy, foram os responsáveis pela formação de grupos rebeldes, antes inexistentes. Ele relata tudo. Em troca, os franceses exigiam que os rebeldes, quando tomassem o poder, priorizassem empresas francesas na área de petróleo em contratos. A ideia toda seria do “intelectual” Bernard-Henry Levy. Que fique claro, o atual governo francês não tem culpa pelas trapalhadas do anterior, assim como Obama não tem pelas trapalhadas de Bush.

No fim, a China, que não participou da intervenção, que se deu bem. Mas imaginem se fossem os EUA, em vez da França, que tivesse orquestrado esta operação? Basta lembrar o que ocorreu no Iraque e a gritaria contra os americanos.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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