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Assad ainda pode vencer a Guerra da Síria

gustavochacra

09 de janeiro de 2013 | 10h58

Muitos acharam que Bashar Al Assad corria o risco de ser deposto depois de os Estados Unidos intervirem no Iraque para derrubar Saddam Hussein em 2003. Ele sobreviveu. Muitos acharam que Assad seria deposto depois da retirada forçada do Líbano em 2005. Ele sobreviveu. Muitos acharam em 2011 que Assad cairia semanas depois do início dos protestos, como Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito. Ele sobreviveu. Muitos acharam que Assad não resistiria a uma oposição armada, como Muammar Kadafi. Ele sobreviveu. Muitos acharam que Assad sucumbiria a um acordo nos moldes do Iemên. Ele sobreviveu.

Em muitos jornais do mundo, todas as semanas, lemos que os dias de Assad estão contados. Mas o líder sírios continua governando seu país em Damasco. Não está escondido. Inclusive, conforme colocou o brilhante e até agora mais correto analista de Síria, Ayham Kamel, da consultoria de risco político Eurasia, a maior dos EUA, em análise envia aos principais bancos e fundos de investimento de Wall Street, “a capacidade de Assad discursar para as pessoas de um pódio facilmente identificável no coração de Damasco demonstra que o regime permanece coerente”.

Apesar de deserções, ainda há muito força no regime de Assad. Seu apoio na classe média síria, inclusive sunita, segue forte. Entre cristãos e alauítas o suporte apenas cresceu diante do medo de um governo radical em seu lugar. A Rússia, o Irã, o Iraque e o Hezbollah se mantêm ao lado do líder sírio e possuem muito poder de fogo.

Verdade, partes do norte do país, próximas à fronteira com a Turquia, estão nas mãos da oposição, assim como algumas vilas e bairros de Aleppo, segundo maior cidade. Mas as forças de Assad ainda controlam Damasco, Homs, Hama, as principais partes de Aleppo e toda a costa Mediterrânea. Aliás, no litoral sírio, onde estão cidades como Tartus e Lataquia, não há movimentos relevantes contra o regime.

Parece difícil imaginar como, sem a ajuda externa, os opositores conseguiriam tomar o poder neste momento. Para complicar, as milícias da oposição são divididas. As mais poderosas delas são ligadas a Al Qaeda e obtiveram sucesso em ações terroristas.

No passado, outros ditadores conseguiram se manter no poder depois de levantes como os que ocorrem na Síria. O próprio Saddam Hussein sobreviveu à derrota no Kuwait, uma zona de exclusão aérea e milícias curdas e xiitas para continuar governando o Iraque nos anos 1990. Durou mais de uma década enfraquecido no cargo e apenas caiu depois da invasão americana, dando início a uma guerra civil que completará dez anos.

A tendência, no longo prazo, ainda é Assad cair. Mas não descartem a possibilidade de ele se manter no poder. Não se esqueçam, ele sobreviveu em 2003, 2005 e há dois anos vem superando o ofensiva da oposição.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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