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É triste, mas o Líbano deve virar uma nação de carros-bomba e cristãos podem ser o próximo alvo

gustavochacra

24 Agosto 2013 | 11h19

O Líbano não deve virar a Síria neste momento. Mas já começa a se transformar em um Iraque. Não o Iraque da invasão americana e das dezenas de milhares de mortos. Mas o Iraque de hoje, com bombas diárias em Bagdá e outras cidades iraquianos em ações claramente de viés sectário.

Historicamente, os atentados terroristas no Líbano visavam importantes autoridades políticas, como Bashir Gemayel e Rafik Hariri, para ficar em dois exemplos mais conhecidos. Ataques aleatórios, como eram comuns na Intifada em Israel ou no Iraque de hoje, eram raros.

Nas últimas duas semanas, porém, este cenário mudou. Na semana passada, um atentado matou ao menos 16 em Dahieh, uma área de maioria xiita em Beirute, normalmente associada ao Hezbollah. Por este motivo, grupos salafistas (uma vertente radical dos sunitas) e refugiados sírios anti-Assad foram os maiores suspeitos.

Nesta sexta, foi a vez de duas mesquitas sunitas em Trípoli. Conforme escrevi ontem aqui no blog, a suspeita “pelos atentados alvejando salafistas em Trípoli”, certamente recairia “sobre o Hezbollah. Seria uma resposta à ação em Dahieh na semana passada. Por outro lado, não se pode descartar a possibilidade de atores internos ou externos terem provocado os ataques para acentuar as divisões sectárias no Líbano.”

Um dia mais tarde, a segunda opção parece se provar a correta. Autoridades libanesas prenderam o xeque Ahmad Gharib, ligado ao regime sírio, mas não ao Hezbollah. Isto é, existe uma probabilidade grande de um agente externo – regime de Bashar al Assad – estar por trás dos ataques.

Mesmo assim, ainda que tenha sido um grupo ligado a este xeque, a sensação entre sunitas libaneses é de que existe sim uma mão do Hezbollah, que nega envolvimento. Sem dúvida, acirra o sectarismo no país.

Não dá para saber quem está por trás destes ataques terroristas no Líbano e a chance de serem agentes externos, da Síria, sejam ligados ao regime ou à oposição, é enorme.

Nos próximos meses, tende a haver novos atentados no Líbano, mas não uma Guerra Civil. Hoje, pelo que já dizem em Beirute, o próximo alvo será em uma área cristã. Afinal, primeiro foram os xiitas, depois os sunitas, faltando apenas uma das três pluralidades libanesas. Lembro que os cristãos libanesas são divididos em diversas facções políticas, sendo muitas inimigas entre si. Alguns cristãos são aliados do Hezbollah e da Síria. Outros, dos sunitas e dos opositores sírios. Existem também muitos neutros.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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