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É um erro organizar uma conferência sobre a Síria sem convidar o Irã e a Arábia Saudita

gustavochacra

28 de junho de 2012 | 10h28

no twitter @gugachacra

O Irã e a Arábia Saudita não foram convidados para a conferência sobre a Síria em Genebra neste fim de semana, apesar de Kofi Annan, mediador internacional da crise, pedir a inclusão de ambos. Mas a secretária de Estado Hillary Clinton ameaçou boicotar se Teerã fosse e, para compensar, também deram bola preta para Riad.

Esta decisão é um erro e demonstra a hipocrisia da administração de Barack Obama. Afinal, os iranianos agem em coordenação com os americanos no Afeganistão e também no Iraque. Os dois países são aliados de Hamid Karzai e Nouri al Maliki. Por que na questão síria será diferente? Por que estão em lados opostos?

Teerã, junto com Moscou, é quem banca o regime de Assad. Obviamente, deveria estar no diálogo. A Arábia Saudita, idem, afinal a monarquia dos Saud exerce enorme influência sobre os opositores.

Sem a participação destas duas nações do Oriente Médio, o encontro obviamente fracassará, assim como todas as iniciativas de resolução do conflito. A Síria terá um guerra civil que pode ser ainda pior do que a do Líbano dos anos 1980, com chances de virar uma Somália de tempos atrás, no coração do mundo árabe.

Antes que me esqueça, também me espanta que o Kuwait tenha sido convidado, mas o Líbano não.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios