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Em 2012, Assad não caiu e Israel não atacou o Irã

gustavochacra

26 de dezembro de 2012 | 14h08

Israel não atacou o Irã, Bashar al Assad não foi deposto e a Grécia ainda integra a zona do euro. Para 2013, novas previsões serão feitas envolvendo estas três questões, que ainda dominam as bolsas de apostas internacionais.

Na verdade, não adianta ficar tentando prever o futuro. O melhor é observar o presente em cada um destes pontos. Primeiro, Israel e os EUA ainda não aceitam um Irã nuclear. Os israelenses, porém, ainda acham melhor lançar uma operação com o apoio de Washington, e não individual. Os americanos, por sua vez, preferem esperar mais tempo por saber os efeitos das sanções sobre o regime de Teerã.

Bashar al Assad, no início de 2012, estava sólido no poder, controlando absolutamente todo o território sírio e com raras deserções em seu regime e nas suas Forças Armadas. No fim de 2012, deixei claro que a tendência era o líder sírio permanecer no poder, mas cada vez mais enfraquecido e com menor domínio sobre áreas do país. Damasco e Aleppo se tornariam réplicas de Beirute e Bagdá de outras épocas. Foi mais ou menos isso o que aconteceu.

Atualmente, Assad controla ainda a maior parte do território sírio. Suas Forças Armadas seguem poderosas. Porém muitas deserções ocorreram e a região norte, perto da fronteira com a Turquia, está nas mãos dos opositores. Os rebeldes, mais bem armados e organizados, também controlam bairros de Aleppo e subúrbios de Damasco. Hoje, seguro para o regime, apenas a costa mediterrânea na área de Tartus, perto da fronteira com o Líbano.

A Rússia sabe da deterioração do poder de Assad e passou a se importar mais com a segurança das milhares de mulheres russas que vivem na Síria e também dos cristãos sírios, que veem em Moscou seus únicos protetores, pois, para muitos deles, a administração de Barack Obama é comprada pela Arábia Saudita e os wahabitas. O regime de Teerã segue firme no apoio, assim como o Hezbollah. Mas ambos enfrentarão eleições neste ano.

Com estes dados, façam as suas previsões sobre um possível ataque de Israel ao Irã e uma possível queda de Assad. A Grécia deixo para os economistas.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios