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Em Israel, sistema eleitoral permite minoria dominar maioria

gustavochacra

09 de fevereiro de 2009 | 08h46

O sistema eleitoral israelense favorece os partidos menores em detrimento dos mais votados. Agremiações como o Likud, Kadima e Trabalhistas, que seriam o mainstream, são obrigadas a formar alianças com grupos radicais à esquerda ou à direita. O resultado destas coligações implica, muitas vezes, em Israel adotar políticas que não são apoiadas pela maior parte da população. Este é o caso dos assentamentos.

Para entender, uso uma teoria econômica que explica a força do lobby dos plantadores de milho de Yowa, nos Estados Unidos. Caso o governo americano levantasse as barreiras protecionistas à importação do etanol brasileiro, feito da cana-de-açúcar, 30.000 (os números são fictícios) fazendeiros do meio-oeste perderiam US$ 300 milhões . Isto é, na média, cada um deles estaria US$ 100 mil mais pobre. Já o restante da sociedade americana, de 300 milhões de habitantes, estaria mais rica. Porém, apenas US$ 1 cada habitante na média. O normal, portanto, é que os fazendeiros constituam um lobby para pressionar o Congresso dos EUA a aprovar leis protecionistas. O restante da população, por praticamente não ser afetada, não se mobiliza.

Agora, voltamos a Israel. A maior parte dos cerca de 7 milhões de habitantes não sofreria nenhum efeito negativo se os assentamentos fossem removidos, se casamentos civis fossem aprovados e judeus ortodoxos recebessem menos verbas do governo. Não sei o número certo. Estes israelenses continuariam vivendo em Tel Aviv, Haifa ou Jerusalém independentemente de colonos estarem ou não no assentamento de Immanuel. Teriam, talvez, um pouco mais de facilidade para se casar com uma não-judia, sem precisar ir até o Chipre. E economizariam dinheiro dos impostos se o financiamento aos grupos religiosos fosse reduzido.

Por outro lado, os moradores da colônia de Immanuel seriam obrigados a deixar as suas casas. O lugar onde vivem, onde tem suas memórias e onde muitos nasceram. A escola, o jardim, as ruas, tudo seria destruído. Não é fácil. Até mesmo a ideologia destes colonos, que consideram a Judéia e Samaria (Cisjordânia) como parte de um Estado judeu, viraria pó. Os religiosos não se sentirão bem em saber que um juiz, e não um rabino, está casando as pessoas. É contra a religião deles. Para complicar, terão menos verbas para seus Yeshivas que no fundo buscam aprofundar o conhecimento do judaísmo. Com o sistema eleitoral no formato atual, estes grupos sempre tentarão impor as suas condições para formar parte de um governo.

Para evitar este cenário, uma coalizão com o Likud, Kadima e Trabalhistas seria a que mais poderia contribuir para o fortalecimento do mainstream de Israel, em detrimento destes grupos minoritários que vem controlando parte da agenda israelense nos últimos anos.

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