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Em política externa, Obama e Romney são quase iguais

gustavochacra

22 de outubro de 2012 | 11h27

Eleições nos EUA 2012

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Barack Obama defende mais liberdades sociais. Mitt Rommey, mais liberdades econômicas. Mas, quando o assunto é política externa, são poucas as diferenças entre os dois. Apenas o tom do republicano demonstra ser mais duro em grande parte por não estar na Casa Branca.

Não esperem, portanto, nada mais do que disputas retóricas e quase pessoais no debate desta noite na Flórida. Irã, Síria, Líbia, Israel, China e Rússia não antagonizam os eleitores e os partidos dos EUA como questões como o aborto, casamento entre homossexuais e o papel do governo na economia. Muito menos afetam, nestas eleições, o voto. A preocupação maior ainda é com a situação do emprego.

Certa vez, um professor americano me disse que política externa nos EUA seria como um transatlântico. Não dá muito para mudar o rumo de repente. Obama mesmo deu prosseguimento em grande parte da política externa do segundo mandato de George W. Bush. Para começar, manteve como secretário da Defesa Robert Gates e continuou seguindo os conselhos de David Petraeus, responsável pelo surge no Iraque.

Obama simplesmente seguiu a via aberta por Bush para encerrar o conflito no Iraque. John McCain teria feito exatamente o mesmo. Guantánamo, apesar de todas as promessas do atual presidente, continua aberta. A tortura acabou, que fique claro. Mas o atual ocupante da Casa Branca intensificou o uso de drones que, em vez de torturar, matam suspeitos de terrorismo sem direito a julgamento, além de vítimas civis. Certamente, se o rival fosse eleito, a mesma política teria sido adotada porque ele, que foi torturado no Vietnã, era naturalmente contra a tortura. E os drones são moda nos EUA, independentemente de quem esteja no poder.

Osama bin Laden foi morto. Dizem ser uma vitória para Obama e simbolicamente foi. Mas esta não é uma ação de política externa, e sim de inteligência. A CIA e os SEALs são os verdadeiros heróis. O presidente tem o mérito de ter dado a ordem, embora certamente McCain teria agido da mesma forma.

E seguimos com similaridades entre democratas e republicanos em quase todos os assuntos internacionais, a não ser em temas pontuais. Por exemplo, na América Latina e especialmente no Brasil existe uma diferença de interesse. Obama simplesmente ignora os brasileiros e os latino-americanos. Romney vê uma importância maior na região e quer estreitar as relações com nações como o Brasil e a Colômbia. O republicano também é menos protecionista e defende o livre-comércio.

Nos dois primeiros debates, como era de esperar, Obama não citou a América Latina. Trata-se de uma região do mundo onde ele possui dificuldade em entender o que é o Brasil, a Argentina, a Venezuela. Simplemente não sabe e não quer saber. Romney, por sua vez, citou os latino-americanos ao defender o livre comércio. Mais importante, tem entre seus assessores e provável secretário de Estado Robert Zoelick, ex-presidente do Banco Mundial, que conhece profundamente a economia brasileira. Outro que aconselha Romney é David Neeleman, CEO da Azul Linhas Aéreas e amigo pessoal do republicano.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade ColumbiaTambém é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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