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Em qual cidade Obama pode se dirigir aos muçulmanos? Cairo? Ou seria Teerã?

gustavochacra

07 de abril de 2009 | 19h26

Obama discursou no Parlamento da Turquia em Ancara. Foi a sua primeira visita a um país majoritariamente muçulmano. Mas, segundo seus assessores, esta viagem não é a tão prometida, na qual o presidente dos Estados Unidos se dirigiria para o público islâmico. Tampouco a visita ao Iraque pode ser considerada este grande momento. O mistério é saber onde será feito o tão aguardado discurso. Há algum tempo, li um artigo sobre os lugares onde Obama poderia falar no mundo árabe. Não me recordo quem escreveu. Mas o autor afirmou que seria no Cairo.

Concordo com ele em parte. O Egito tem acordo de paz com Israel. Possui a maior população árabe do mundo. O regime de Mubarak mantém boas relações com os Estados Unidos. Os serviços de inteligência e o Exército egípcio, em teoria, podem garantir a segurança do presidente. Mas insisto no “em teoria”. O Egito, desde a queda do rei Farouk, vive sob a égide de ditaduras. E isso não impediu que Anwar Sadat fosse assassinado. “Em teoria”, por um radical islâmico. Na prática, qualquer egípcio que se sentir à vontade dirá que o mentor do atentado seria um outro egípcio bem conhecido, que, apesar dos 80 anos, adora jogar squash. Depois, nos anos 1990, tivemos os atentados de Luxor. Há poucos anos, o Sinai passou a ser o alvo. Recentemente, teve atentado até no Khan al Khalili, conhecido mercado da capita do Egito. Não sei até que ponto o caótico Cairo ofereceria condições de segurança para Obama.

Se não for o Cairo, fica difícil pensar em outra cidade árabe. Beirute é completamente insegura. Amã não tem relevância. Ramallah está atrelada ao conflito israelo-palestino, sem levar em conta os outros problemas da região. Rabat ,Tunis e Argel são muito distantes dos principais conflitos. Trípoli ainda tem o Kaddafi como complicador. Riad e Kuwait são conservadoras demais para este momento. Sanaa é o novo centro da Al Qaeda. Abu Dhabi, Doha, Manama e Muscat são periféricas. Logo, voltamos à capital do Egito. E tenho que aceitar o que disse o autor do artigo. Mas, se eu pudesse dar um conselho, diria para Obama ir a Teerã de uma vez. Apenas esperaria o resultado da eleição presidencial de junho. Certamente os persas receberiam bem o presidente, pois esta é ua tradição cultural deles. Além disso, não há risco de atentado contra Obama, afinal a Al Qaeda inexiste no Irã. E, melhor, Obama iria direto ao ponto, a quem interessa. Todos os problemas do Oriente Médio tem alguma ligação com o Irã. Logo, as soluções também estão mais próximas de Teerã e longe do Cairo. O problema é que o Irã não é árabe. Mas a promessa é a de um discurso em um país muçulmano, não necessariamente árabe. De repente, poderemos ter surpresa.

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