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Egito tem hoje uma ditadura militar sanguinária e popular

gustavochacra

14 de agosto de 2013 | 11h39

O novo governo do Egito é uma ditadura sanguinária. Não há outra forma para descrever o que ocorre no Cairo. Há relatos de que mais de 200 pessoas teriam sido mortas na ação hoje para reprimir protestos pacíficos de membros da Irmandade Muçulmana  – já eram mais de cem antes. Até mesmo um câmera de uma TV britânica está entre os mortos.

O general Sisi se transformou em um novo Hosni Mubarak e, como o antigo ditador, já decretou um mês de estado de emergência. Mohamed El Baradei, celebrado por seu prêmio Nobel da Paz, é conivente com a matança se não tomar vergonha na cara e renunciar (ATUALIZAÇÃO – El Baradei renunciou).

Mohammad Morsy havia sido eleito um anos atrás em eleições livres. Fez uma péssima administração, em parte, especialmente na área de segurança, por ter sido boicotado pela polícia e pelas Forças Armadas. Também desrespeitou a divisão de poderes e rumava para se transformar em Hugo Chávez do mundo árabe.

Estas suas ações geraram enorme insatisfação e calcula-se que milhões saíram às ruas pedindo à sua queda. O Exército, comandado por Sisi, interveio e o derrubou. Houve, na época, um debate sobre se teria sido ou não golpe. Mas isso não interessa mais.

Hoje o Egito tem uma ditadura que, em pouco mais de um mês, mata como o regime militar brasileiro em 20 anos. Tem apoio popular? Pinochet também tinha no Chile e Assad possui na Síria. Morsy, por sua vez, segue preso, embora não tenha cometido nenhum crime, e também desfruta de enorme suporte em uma nação dividida.

Conforme demandam alguns senadores americanos, a administração Barack Obama precisa rever urgentemente a sua mesada de US$ 1,3 bilhões anuais para os militares egípcios. Nem mesmo para a segurança de Israel a turma de Sisi serve, como vemos no Sinai ingovernável. Morsy, por sua vez, conseguiu negociar um acordo evitando uma guerra entre os israelenses e o Hamas na Faixa de Gaza no ano passado. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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