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Enquanto pilotos de F1 correm, defensor de direitos humanos deve morrer em Bahrein

gustavochacra

20 de abril de 2012 | 18h55

no twitter @gugachacra

O ativista de direitos humanos Abdulhadi al-Khawaja, preso por defender a democracia em Bahrein, está em greve de fome há mais de 70 dias e pode morrer a qualquer momento caso não seja libertado pela monarquia Al Khalifa. Enquanto isso, Felipe Massa, Bruno Senna e outros pilotos estarão competindo no GP de Fórmula 1.

Ao todo, 60 pessoas foram mortas na repressão do regime de Bahrein, com apoio de tropas sauditas, aos opositores. Dezenas foram e ainda são torturados e centenas estão nas porões das prisões em uma guerra suja contra a democracia.

Com 1 milhão de habitantes nativos e cerca de 300 mil expatriados, Bahrein é uma ilhota-país ligado por uma ponte à Arábia Saudita. Apesar de ser majoritariamente xiita, é governado por uma monarquia absolutista de origem sunita, nas mãos da família Al Khalifa.

Praticamente inexistem liberdades democráticas e as mulheres são tratadas como cidadãs de segunda classe. Os xiitas são alvo de uma política de Apartheid.

Mesmo antes de eclodir a Primavera Árabe, os xiitas e também muitos sunitas de Bahrein clamavam por mais direitos em uma sociedade ditatorial. No ano passado, depois da queda de Hosni Mubarak no Egito e de Ben Ali na Tunísia, eles intensificaram os protestos pacíficos contra o governo. Este respondeu com o massacre da praça da Pérola, que contou com a ajuda das forças de Riad.

A Arábia Saudita teme a queda do regime em Bahrein porque o país está próximo da Província com maior produção de petróleo e justamente uma área de presença xiita. Naturalmente, as manifestações que já existem e são reprimidas com violência, poderiam aumentar. Também existe a questão de o Irã influenciar os opositores, apesar de os xiitas bairenitas serem mais moderados do que os do regime vizinho.

Para completar, a Quinta Frota da Marinha americana, responsável pela segurança dos interesses dos EUA no Golfo Pérsico, fica baseada em Bahrain. Mesmo assim, nesta semana, diante da provável morte de Khawaja, o tom americano ficou um pouco mais crítico.

Um grupo de quatro senadores republicanos e democratas dos Estados Unidos, incluindo Marco Rubio, cotado para vice na chapa de Mitt Romney, pediram ontem a libertação imediata de Al Khawaja. A administração de Barack Obama, por meio da porta-voz Victoria Nuland, também pediu para a monarquia respeitar os “direitos humanos universais”.

No Brasil, observamos uma campanha pela libertação de Sakineh no Irã. Mas ninguém parece dar bola Khawaja.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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