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Entenda a Al Qaeda na Península Arábica (Yemen), o braço mais forte do terrorismo mundial

gustavochacra

07 de agosto de 2013 | 12h05

Meu comentário sobre o Yemen no Jornal das Dez da Globo News

Hoje o mais poderoso e ativo braço da Al Qaeda, no âmbito global, está no Yemen, não na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Verdade, existem facções da organização lutando ao lado de opositores sírios e iraquianos, além de milícias na Líbia. Mas estas são ameaças regionais, por enquanto.

Nesta semana, ficamos sabendo que, de acordo com autoridades iemenitas, um mega atentado terrorista da Al Qaeda com a tomada de portos, explosões de oleodutos, atentados contra embaixadas e assassinatos de ocidentais foi abortado. Seria uma mistura de USS Cole com Tanzânia e Quênia, que são alguns atos terroristas símbolos da rede fundada por Osama bin Laden. A proporção seria tão grande que levou os EUA e países europeus a fecharem embaixadas ao redor do Oriente Médio.

Com o nome de Al Qaeda na Península Arábica (AQAP, na sigla em inglês), este braço da organização há cerca de cinco anos já havia se tornado o foco da política antiterrorismo dos EUA. No Yemen, foram planejadas algumas das maiores tentativas de atentados recentes, como a fracassada explosão de um avião em Detroit.

A administração de Barack Obama decidiu atuar por duas vias no combate à AQAP. Primeiro, com os bombardeios de Drones. Em segundo lugar, agindo em conjunto com as Forças Armadas iemenitas. Tanto o presidente atual, Abd Mansur Hadi, como o anterior, Abdullah Saleh, são aliados dos EUA.

A primeira parte tem obtido um resultado dúbio. Sem dúvida, a AQAP é hoje muito mais poderosa no Yemen do que antes do início dos bombardeios dos EUA. De 300, há mais de mil membros hoje.  Os defensores dos bombardeios de aviões não tripulados argumentarão que o cenário seria ainda pior sem estas ações. Os críticos argumentam que elas apenas radicalizam a população, pois acabam matando, mesmo por acidente, muitos civis – recomendo o livro e o documentário “Dirty War”, de Jeremy Scahill.

Já  a segunda parte, aparentemente, tem sido bem sucedida. O governo e as Forças Armadas iemenitas têm feito o possível para tentar combater a AQAP, embora tenham talvez até questões de violência interna mais graves, como o separatismo do sul e os rebeldes houthis no norte.

O certo, porém, é que cada vez mais ouviremos falar do Yemen. Neste momento, dezenas ou mesmo centenas de terroristas que fugiram de prisões no Afeganistão e no Iraque estão a caminha do país. Para conter o caos no país mais pobre no mundo árabe, é preciso fortalecer as instituições iemenitas.

Por incrível que pareça,  de todas as nações onde tivemos a Primavera Árabe, o Yemen, junto talvez com a Tunísia, é o mais próximo de uma democracia.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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