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Entenda a batalha da Síria no Congresso dos EUA – Parte 1

gustavochacra

04 Setembro 2013 | 18h07

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 Como era esperado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conseguiu superar a primeira etapa para conseguir a aprovação do Congresso para lançar uma ação contra o regime sírio em resposta ao que, segundo o seu governo, foi um ataque químico das forças de Bashar al Assad – Damasco nega envolvimento, a Rússia acusa a oposição e a ONU não chegou a uma conclusão.

Esta vitória hoje era a mais esperada pois ocorreu na Comissão de Relações Exteriores do Senado, simpática a Obama por ter maioria democrata e também incluindo alguns falcões republicanos, como John McCain, a favor da intervenção. Ainda assim, o número de senadores a favor foi 10, contra 7 se opondo. A expectativa era de uma diferença um pouco maior.

Veja como está a tendência de votos no Washington Post

Marco Rubio, senador republicano pela Flórida, que havia se manifestado a favor da intervenção, alterou o voto e se posicionou contra uma intervenção na Síria. A divisão não seguiu linhas partidárias, com republicanos e democratas nos dois lados.

Quando o voto for para o plenário do Senado, a tendência será Obama conseguir a autorização ao buscar uma coalizão entre democratas próximos a ele e falcões republicanos. Os opositores devem reunir a esquerda do Partido Democrata com as alas isolacionista e libertária do Partido Republicano, mas juntos serão insuficientes para bloquear a iniciativa, a não ser que alguém use o artifício do Filibuster, obrigando o total de votos superar 60 de 100, e não maioria simples.

Na Câmara dos Deputados, o cenário seria parecido na divisão entre democratas obamistas e republicanos falcões contra democratas de esquerda e republicanos libertários e isolacionistas. Mas existem duas diferenças. Primeiro, os republicanos estão no controle. Em segundo lugar, o número de republicanos libertários e isolacionistas é maior do que o de falcões. E também cresce a importância da esquerda democrata entre os deputados. Por outro lado, Obama terá o apoio, até certo surpreendente, do presidente da Câmara, John Boehner, e do líder da maioria republicana, Eric Cantor. Mas eles não tentarão convencer os deputados republicanos a votarem a favor. Cada um vota como quiser.

Como há muitos deputados e senadores ainda indecisos, tudo dependerá da performance da administração Obama no convencimento deles. Várias questões ainda persistem. Qual a estratégia para coibir o uso de armas químicas? Onde estão as provas de que foi Assad? Qual seria a reação do Irã e do Hezbollah? Não há risco de Al Qaeda, ligada à oposição, se fortalecer? E os cristãos sírios, que apoiam Assad? Não aumentaria a instabilidade no Líbano? Israel estará mais seguro?

Mas, acima de tudo, Obama precisará convencer os congressistas de que não se trata de um novo Iraque. A guerra traumatizou os americanos. Na época, um presidente também dizia ter provas de que um regime, sem dúvida alguma ditatorial, possuía armas químicas. Invadiu o país, mais de 4 mil americanos morreram, dezenas de milhares ficaram feridos e o total de vítimas do conflito é o triplo do da Síria. Para completar, Bagdá ainda é mais violenta do que Damasco e o novo governo iraquiano se aliou ao Irã e, ironicamente, apoia Assad na Guerra Civil.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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