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Entenda a crise EUA-Rússia

gustavochacra

08 de agosto de 2013 | 13h48

Meu comentário no Jornal das Dez da Globo News sobre as relações EUA-Rússia

A Rússia não é inimiga dos EUA. Os dois países trabalham em coordenação e sem grandes divergências em temas como o programa nuclear iraniano e a crise na Península Coreana. Há um diálogo, embora com poucos avanços, na questão do desarmamento nuclear mútuo. Os russos também auxiliam os americanos no combate ao terrorismo internacional, especialmente o oriundo do Cáucaso.

Não podemos esquecer do papel das autoridades russas alertando seus pares nos EUA sobre Tamerlan Tsarnaev, acusado de ter sido o responsável, junto com seu irmão, pelo atentado na maratona de Boston.

 

Meu comentário na TV Estadão

Sem dúvida, os dois estão em lados distintos na Guerra da Síria. A Rússia apoia Bashar al Assad porque considera o líder sírio a melhor alternativa para segurança dos cristãos e das armas químicas no país. Além disso, existe a questão geopolítica de o regime de Damasco ser um Estado cliente de Moscou e fornecer uma base militar na costa Mediterrânea. Os americanos apoiam retoricamente e financeiramente a oposição, mas muitos integrantes da administração Obama consideram os rebeldes radicais e temem a influência da Al Qaeda.

Mais importante, a Casa Branca sabe não haver qualquer possibilidade de solução para o conflito na Síria sem o envolvimento da Rússia.

Os direitos humanos não são respeitados no território russo e foram aprovadas legislações anti-gay recentemente. Mas isso não é suficiente para os EUA estremecerem relações com países. A Arábia Saudita, um dos maiores aliados americanos, possui um regime de Apartheid contra as mulheres.

Sobra Edward Snowden. Neste caso, os dois países fizeram o que precisavam fazer. Os americanos pediram a extradição. E os russos não concederam. Era esperado, especialmente porque o responsável pelo vazamento da espionagem global americana é idolatrado em Moscou e os dois países não possuem acordo de extradição. Washington sabia que isso aconteceria. E Putin não queria este abacaxi, enviado pela China, nas suas mãos. Seu sonho era coloca-lo em um avião para Venezuela e se livrar do problema.

No fim, simbolicamente, o encontro em Moscou foi cancelado. Mas Putin e Obama tendem a se encontrar em São Petersburgo. E autoridades do alto escalão dos dois países mantêm canais de diálogo aberto para tratar de Irã, Síria, Coreia do Norte e Terrorismo.  

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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