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Entenda a disputa sobre a Síria no Conselho de Segurança

gustavochacra

17 de julho de 2012 | 12h52

Vou tentar ser o mais didático possível para explicar os embates no Conselho de Segurança da ONU envolvendo a crise síria. De um lado, como sabemos, está a Rússia. De outro, EUA, França e Grã Bretanha. As visões deles são distintas sobre o que acontece na Síria, apesar de concordarem na necessidade de colocar um fim à violência.

A Rússia não idolatra Bashar al Assad. Simplesmente acha que o líder sírio desfruta de expressivo apoio da população e não há como forçar a saída de um governante popular do poder sem agravar a guerra civil. Também possui preocupação com o radicalismo sunita dos opositores e busca defender as minorias cristã e alauíta, que são mais moderadas em hábitos sociais

Os EUA e os europeus acham que nada justifica a permanência do que eles classificam como ditador sanguinário no poder. Existe uma preocupação com o radicalismo de alguns setores da oposição. Mas a maioria de seus membros seria apenas a favor da queda do regime. Em uma democracia, segundo eles, as minorias religiosas estariam protegidas

Para os americanos e europeus, seria necessário a adoção do artigo 41 do capítulo 7 da ONU, com a inclusão de ameaça de sanções ao regime sírio caso este não cumpra com as exigências do plano de Annan. Os russos consideram esta exigência ineficaz para resolver a crise síria e acusa o Ocidente de querer uma mudança de regime

Como todos possuem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e a missão dos observadores da ONU se encerra na sexta, rumamos para um choque. Então, que tal tentar uma teoria dos jogos para ver o que acontecerá no órgão decisório máximo das Nações Unidas? Podem mandar as suas sugestões

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra