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Entenda a forma positiva e a negativa de ver o acordo entre o Fatah e o Hamas

gustavochacra

23 de abril de 2014 | 16h00

O anúncio de um acordo  entre o Fatah e o Hamas na Palestina pode ser visto de uma forma positiva e de uma negativa.

Forma positiva

 Os palestinos finalmente se uniram. Gaza não será mais politicamente separada da Cisjordânia. Isto é, um acordo com de paz, se fosse assinado pelo presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, seria assinado com todos os palestinos. Em breve, também deve haver eleições. Além disso, não houve o desmantelamento da Autoridade Palestina, como Abbas havia ameaçado. Os palestinos passariam a pedir a cidadania israelense, colocando em risco a maioria judaica em Israel, caso esta fosse concedida, ou a democracia, se não fosse

Para completar, o Hamas pode ter moderado a sua posição em relação a Israel e não o Fatah radicalizado a sua. No anúncio, ninguém falou em pegar em armas para uma nova Intifada. Quem sabe, o Fatah até atue para conter os ataques de foguetes contra o sul de Israel. Juntos também podem trabalhar para combater a Al Qaeda (inimiga de ambos) que começa a avançar em Gaza

Forma negativa

O acordo de paz entrou em colapso definitivamente com este anúncio. Israel não aceitará negociar com o Hamas se este não abdicar de suas armas e claramente aceitar a existência de Israel. Líderes do grupo já indicaram aceitar dois Estados, mas nunca fizeram uma declaração formal neste sentido e tampouco alteraram a sua carta de fundação. Na prática, não aceita a existência de Israel (assim como membros da coalizão de governo israelense não aceitam a existência da Palestina).

Em segundo lugar, os palestinos enfrentarão enormes dificuldades inclusive para conseguir manter a ajuda financeira americana, uma vez que o Hamas é classificado como terrorista pelos EUA

Terceiro, a sociedade israelense foi alvo de dezenas de atentados terroristas cometidos pelo Hamas, com centenas de mortos. Foram explosões de homens bomba em boates, ônibus e restaurantes, matando civis, incluindo crianças, indiscriminadamente. É um trauma. Certamente, até mesmo moderados israelenses verão a decisão de Abbas como um distanciamento da paz e uma opção pelo confronto

Para completar, vozes anti-Palestina nos EUA e em Israel se fortalecerão pois agora fica mais fácil atacar os palestinos. Afinal, era complicado atacar Abbas. Mas, com o Hamas, voltarão a associar os palestinos ao terrorismo

Minha Conclusão?

EUA, Israel e Palestina desistiram do processo de paz. Os americanos avaliam que os dois lados não são sérios. Os israelenses não confiam nos palestinos e estão seguros mesmo sem acordo graças a medidas unilaterais. Os palestinos não têm mais nada a perder porque acham que o atual status quo não tem como piorar, apostando no isolamento israelense através do BDS

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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