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Entenda a Palestina através de Kosovo

gustavochacra

01 de novembro de 2011 | 12h07

no twitter @gugachacra

Os Estados Unidos reconhecem a independência de Kosovo, mas não da Palestina. A Rússia reconhece a independência da Palestina, mas não de Kosovo. Nos dois casos, dezenas de países ao redor do mundo consideram palestinos e kosovares membros de nações independentes.

Kosovo conseguiu se integrar a alguns órgãos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial. A Palestina deu seu primeiro passo ao ser aprovada como membro pleno da UNESCO.

Mesmo quatro anos depois de declarar a independência, Kosovo ainda não entrou com requerimento para ser um Estado das Nações Unidas. A Palestina fez o pedido na última Assembleia Geral, em setembro.

Os kosavares argumentam que não levaram adiante o pedido porque têm certeza de que Moscou irá vetar. Os palestinos levaram adiante o pedido mesmo sabendo do já anunciado veto americano.

Kosovo era uma Província da Sérvia considerada sagrada pelos sérvios por batalhas em séculos passados. Os territórios reivindicados pelos palestinos para o seu futuro Estado também têm importância histórica e religiosa para os judeus.

Os kosovares não recebem ajuda da Rússia, seu algoz na ONU. Os principais financiadores dos palestinos, ironicamente, são os Estados Unidos, justamente seus algozes nas Nações Unidas.

A Sérvia não reconhece Kosovo como uma nação independente. Os habitantes do território, sejam eles da minoria sérvia ou da maioria etnicamente albanesa, teriam direito à cidadania caso continuassem integrando a Sérvia. Isto é, os kosovares puderam optar por um Estado de Kosovo com cidadania própria ou permanecer como parte da Sérvia, com passaportes sérvios. Não seriam um povo sem cidadania e sem Estado.

Israel não reconhece a Palestina como uma nação independente. Mas os habitantes dos territórios não têm direito à cidadania israelense. Isto é, são um povo sem cidadania e sem Estado.

Os kosovares pegaram em armas para lutar contra os sérvios, mas não usaram o terrorismo. Os palestinos apelaram a atentados terroristas.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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