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Entenda a Ucrânia através da Síria

gustavochacra

16 de abril de 2014 | 11h21

Genérico – Um governo visto como não democrático controla o país. Mas manifestações começam a surgir em outras partes do território, distantes da capital. Estes manifestantes dizem representar toda a população, ignorando os simpatizantes do líder do país, e passam a defender até a queda do governo. O governo, que afirma serem ações orquestradas por forças externas, decide reprimir estes protestos e conta com apoio expressivo da população doméstica. Uma importante potência externa defende publicamente o governo dizendo que este pretende restaurar a ordem. Outra potência acusa o governo de não ter legitimidade e de usar a violência para restaurar a ordem, além de ser aliado de grupos radicais. O governo retruca e diz que seus adversários são os radicais.

  Síria – O governo da Síria, visto como não democrático, controlava todo o país no início de 2011. Mas começaram a surgir manifestações em partes da Síria como Hama e Daara. Estes manifestantes dizem representar toda a população, ignorando os simpatizantes de Bashar al Assad, e passam a defender a queda do governo. O governo, que afirma serem ações orquestradas por nações do Golfo, Turquia e EUA, decide reprimir estes protestos e contou com apoio de parte da população doméstica. A Rússia defendeu publicamente o governo dizendo que este pretende restaurar a ordem. Os EUA, por sua vez, acusam o governo de não ter legitimidade e de usar a violência para restaurar a ordem, além de ser aliado do regime de Teerã e do Hezbollah. Assad retruca e diz que seus adversários são os radicais, atacando minorias cristãs e alauítas e sendo aliados da Al Qaeda

 Ucrânia – O governo da Ucrânia, visto como não democrático, controla todo o país. Mas começam a surgir manifestações no Leste do território. Os manifestantes dizem representar toda a população de origem russa na Ucrânia, ignorando aqueles que simpatizam com o governo em Kiev. Aos poucos, passam a defender a anexação com a Rússia. O governo em Kiev, que afirma serem ações orquestradas por Moscou, decide reprimir estes protestos e conta com relevante apoio doméstico.  Os EUA defendem publicamente o governo e dizem que este pretende apenas restaurar a ordem. A Rússia, por sua vez, acusa o governo de não ter legitimidade e de usar a violência para restaurar a ordem, além de ser aliado de grupos fascistas. O governo de Kiev retruca e diz que os radicais são seus adversários

 Enfim, o cenário é parecido na Síria de 2011 e na Ucrânia de hoje. Apenas EUA e Rússia mudam de lado.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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