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Entenda como Assad tem vencido a Guerra da Síria

gustavochacra

07 de novembro de 2013 | 13h49

Bashar al Assad está vencendo a Guerra da Síria. Ninguém discute isso atualmente. E como ele conseguiu atingir este objetivo? Como sempre afirmo, vale a pena ler o livro “The Dictator’s Hand Book”, do cientista político Bruce Bueno de Mesquita, um dos maiores especialistas em teoria dos jogos dos EUA.

Primeiro, Assad soube manter os seus “essenciais”, que são o grupo de pessoas ou da sociedade fundamentais para a manutenção de um regime autocrático. No caso da Síria, o Partido Baath, a elite mercantil de Damasco e Aleppo e as Forças Armadas, além dos aliados externos Rússia, Irã, Iraque e Hezbollah.

Caso tivesse tentado alterar qualquer um dos pontos desta equação, Assad provavelmente teria caído do poder. Seria impossível o líder sírio permanecer no comando sem o apoio de todos estes atores. As regalias para estes grupos foram mantidas, ainda que em detrimento da maior parte da população.

Em segundo lugar, Assad soube determinar a equação para insatisfação popular. Pessoas saem às ruas quando imaginam que, no lugar de um regime autocrático, entrará outro superior, mais democrático. Além disso, não haverá riscos para as suas vidas com as manifestações. Foi o que ocorreu na Tunísia e no Egito, quando o Exército se comprometeu a não reprimir os protestos.

As minorias religiosas na Síria, como os cristãos, os drusos e os alauítas perceberam que, para eles, a oposição, controlada por sunitas mais conservadores, seria pior. Assad, com todos os seus defeitos, sempre garantiu uma liberdade religiosa bem superior a todos os países árabes, similar apenas ao Líbano na região.

A elite sunita sempre esteve com ele por ser beneficiada como um dos pilares do regime. A classe média de Damasco viu o que aconteceu em Aleppo e avaliou ser melhor permanecer com Assad do que virar a nova Bagdá.

As camadas mais baixas anti-Assad viram que protestar e lutar contra Assad poderia resultar em morte. Alguns preferiram lutar e morrer. Outros preferiram buscar refugio em países vizinhos. E alguns optaram por não se envolver no conflito.

Por último, conforme já deixei claro aqui algumas vezes, Assad é popular. Não é algo apenas da Síria. No Chile, Pinochet desfrutava de enorme popularidade. Muitos sírios genuinamente gostam de seu líder e muitos diplomatas e analistas apostam em uma vitória dele, caso eleições democráticas sejam convocadas.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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