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Entenda o ataque antissemita de um terrorista americano de 73 anos na véspera do Pessach

gustavochacra

14 de abril de 2014 | 10h48

Existe uma tendência equivocada de achar que todo o antissemitismo esteja associado a sentimentos anti-Israel e a extremistas islâmicos fanáticos, embora estes realmente existam. Mas o episódio de ontem em Kansas City, assim como centenas de outros ao redor do mundo todos os anos, inclusive no Brasil, se deveu pura e simplesmente ao ódio aos judeus.

O atirador, depois de preso, teria gritado “Heil Hitler”. E não, ele não era muçulmano, como muitos islamofóbicos gostariam que fosse apenas para terem mais uma oportunidade de atacar os muçulmanos. O terrorista (sim, usarei esta expressão) era um americano branco, supremacista, racista, cristão, membro de Ku Klux Klan e de 73 anos chamado Frazier Glenn Cross.

Existem pessoas que se tornam antissemitas por serem anti-Israel. Estas são mais comuns no mundo árabe. Existem pessoas que são anti-Israel por serem antissemitas. Estas são mais comuns na Europa. E existem pessoas que são antissemitas independentemente da posição que possuam em relação a Israel, pois também tendem a odiar os palestinos. Estes são os neonazistas europeus, americanos e mesmo no Brasil. Isto é, são antissemitas e islamofóbicos (e anti-árabes, pois em alguns casos não toleram cristãos do Oriente Médio) ao mesmo tempo.

Eu mesmo já ouvi de pessoas conhecidas que “judeus” e “libaneses” são os responsáveis por uma série de problemas do Brasil, como corrupção. Claro, estas pessoas, se ficarem doentes e tiverem condições, certamente tentarão se internar no Einstein ou no Sírio-Libanês. E não verão o menor problema em serem atendidos por um médico com sobrenome árabe ou judaico.

Enfim, triste escrever um post de antissemitismo no Pessach. Mas Boa Páscoa à comunidade judaica em São Paulo, Rio, Nova York, Israel, Irã e outras partes do mundo.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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