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Entenda o cenário político de Israel (por André Lajst)

gustavochacra

16 de dezembro de 2014 | 18h36

Na semana passada, expliquei a complicada política libanesa. Nesta, convidei meu amigo André Lajst para falar da política  de Israel. Ele é um jovem brasileiro e israelense, serviu a força aérea de Israel e é especialista em Terrorismo, segurança nacional e história israelense. Escreve mensalmente para o The Jerusalem Post e para o The Times of Israel.

 Nós divergimos em muitas questões envolvendo o Oriente Médio e concordamos em várias outras, o que é natural. Mas ele se tornou para mim uma das referências para eu entender o cenário político em Israel.

André Lajst

Tel Aviv

 O próxima administração em Israel será a de número 34, terminando assim o governo mais curto da história do país, após dois anos. Nas eleições do ano que vem, algo novo poderá surgir. Muitos dizem e, em grande escala, também desejam, em direção a uma mudança. O lema em parte da sociedade em Israel está estampado como – “qualquer um, menos Netanyahu” (atual premiê).
Após ter demitido dois ministros (Tzipi Livni e Yair Lapid) que encabeçam partidos de centro e ter convocado eleições gerais, Netanyahu poderá ver o tiro poderá sair pela culatra. O atual premiê corre o risco de deixar de liderar Israel após quase 6 anos.

Ex-Membro do Likud (partido de Netanyahu, mais conservador) e atual líder do partido Hatnua, a centrista Tzipi Livni, ministra da justiça até recentemente, fez uma união com o Partido Trabalhista liderado por Itzhak Herzog (centro-esquerda), que é o principal líder da oposição. Juntos, de acordo com as últimas pesquisas, eles teriam 24 cadeiras de um total de 120 nas próximas eleições. O Likud, de Netanyahu, teria 22 cadeiras na mesma pesquisa.

Nos últimos anos, surgiram novos partidos de centro devido a diferenças entre membros antigos do Likud. Eles defendem uma reforma social abrangente para aumentar a qualidade de vida da classe média israelense, que vem sofrendo com um alto custo de vida. Neste cenário, o mais novo partido, “Kulanu” (“Todos Nós”, em hebraico), foi criado pelo ex-ministro de comunicação de Netanyahu, Moshe Carrlon, que também foi membro do Likud. Carrlon ficou popular devido a reformas na área da comunicação, que se tornou competitiva e uma das mais baratas do mundo. Seu novo partido tem 10 cadeiras na pesquisa.

A expectativa é de que o partido de Carrlon e a nova aliança entre Livni e Herzog tenham ainda mais votos do que a pesquisa mostra devido a muitos indecisos. Estes costumam decidir em  quem votar na última hora. Nas eleições passadas, o carismático jornalista Yair Lapid (centro) tinha 13 cadeiras nas pesquisas e terminou às eleições com 19. Ele espera que, mais uma vez, seu desempenho termine acima das 10 cadeiras previstas pelas pesquisas. Mas ele enfrenta problemas porque falhou em levar adiante as reformas que prometeu como ministro das Finanças de Netanyahu – assim como Livni, ele também rompeu com o atual premiê recentemente.

Uma coalizão envolvendo Herzog, Livni , Carrlon e Lapid, além do partido de Esquerda Meretz e do religioso Shas, conseguiria uma maioria suficiente no Parlamento, colocando Herzog e Livni como premiês em um sistema de rotação de 2 anos.

No outro lado, houve uma suspeita de uma junção entre o Likud, de Netanyahu, e o direitista Bait Hayehudi, de Naftali Benett. Neste caso, teriam juntos 33 cadeiras. Mas, se concorrerem separados, somariam 38. Como os dois partidos não querem perder votos e cadeiras, devem optar por concorrer separadamente.

A sensação de que Netanyahu “must go” fará com que os israelenses votem em outros partidos por não terem em quem votar. Os partidos citados a cima estarão todos comprometidos com a segurança de Israel. Nestas eleições, os problemas sociais e encarecimento do custo de vida será o fator decisivo para decidir quem será o próximo Primeiro Ministro.

Não sei como faz para publicar comentários. Portanto pediria que comentem no meu Facebook (Guga Chacra)  e no Twitter (@gugachacra), aberto para seguidores

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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