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Entenda o contexto das ameaças de atentado contra as embaixadas dos EUA no Oriente Médio

gustavochacra

05 de agosto de 2013 | 11h47

O anúncio da ameaça de atentados contra instalações diplomáticas dos EUA no Oriente Médio e na África do Norte ocorre pouco depois da enorme polêmica envolvendo o julgamento de Bradley Manning, responsável pelo vazamento de documentos confidenciais para o site Wikileaks, e da concessão de asilo para Edward Snowden na Rússia depois de ele ter divulgado programas secretos do governo dos EUA para monitorar as pessoas na internet e suas ligações telefônicas.

Não se sabe exatamente onde poderiam ser estes ataques. Dizem apenas que conseguiram as informações interceptando informações de membros da Al Qaeda na Península Arábica, com base no Yemen. Obviamente, em se provando verdadeiras, surgem algumas questões.

Primeiro, estas informações foram interceptadas pelos programas Prism ou XKeycore, vazados pro Snowden? Por que não há dados mais claros – isto é, como uma ameaça pode ser tão genérica ameaçando nações distantes e com características diferentes, como a Líbia, Israel e Arábia Saudita? A Al Qaeda na Península Arábica tem sido alvo de uma gigantesca campanha de bombardeios de Drones há anos. Ainda assim, seriam os mentores destes planos. Portanto esta estratégia tem fracassado ou o cenário poderia ser pior sem a ação dos aviões não tripulados?

Vale lembrar que embaixadas e missões diplomáticas americanas foram alvos de atentados terroristas no passado. Quinze anos atrás, a Al Qaeda realizou dois mega ataques simultâneos contra as representações americanas no Quênia e na Tanzânia.

Este episódio, mais do que o 11 de Setembro, foi o responsável pela mudança na arquitetura das embaixadas dos EUA ao redor do mundo. Em São Paulo, por exemplo, o consulado deixou um prédio de escritórios na Padre João Manuel, nos Jardins, com uma segurança similar à de um edifício de luxo na região, e se mudou para o banker no Brooklyn, que mais parece uma prisão de segurança máxima.

No ano passado, o Consulado dos EUA em Benghasi foi alvo de ataque terrorista, mas em um contexto de quase guerra civil – a intervenção na Líbia, não podemos esquecer, tem um sucesso dúbio, afinal morreram dezenas de milhares de pessoas e as forças de segurança não conseguem controlar as milícias. Normalmente, as missões americanas são muito bem protegidas.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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