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Entenda o sequestro de mais de 200 meninas pelo Boko Haram na Nigéria

gustavochacra

05 Maio 2014 | 12h09

1. O que aconteceu na Nigéria?

Ao menos 276 meninas com idades entre 16 e 18 anos foram sequestradas, no dia 14 de abril, em uma escola em Chibok, no norte da Nigéria, pelo grupo extremista islâmico Boko Haram. Destas, 53 já fugiram. O líder da organização afirmou que irá vendê-las

 2. O que é o Boko Haram?

Boko Haram, em hausa, uma língua local, quer dizer algo como “educação ocidental é pecado”. Foi fundado em 2002 para educar muçulmanos nesta região da Nigéria e em países vizinhos. A partir de 2009, se tornou uma organização violenta, responsável por centenas de atentados. Teria, inclusive, nos últimos anos, se aliado à Al Qaeda. Seus principais alvos são organizações ocidentais e cristãs

3. O governo da Nigéria não consegue encontrar as meninas?

Não, e tem sido criticado por não ter conseguido localizá-las. Para complicar, duas representantes das mães com as  filhas sequestradas teriam sido presas por ordem da primeira-dama, Patience,  mulher do presidente Goodluck Jonathan. Ela teria acusado as mulheres de terem fabricado informações para manchar o nome da Nigéria

4. Como é a divisão étnica e religiosa da Nigéria?

O país possui mais de 250 etnias. As principais são a Hausa (29%), Yoruba (21%) e Igbo (18%). Estas etnias se dividem em 50% de muçulmanos, que se concentram mais no norte do país, 40% de cristãos, mais ao sul, além de 10% de outras religiões. O Boko Haram, embora fale em nome dos muçulmanos, não conta com o apoio da maior parte da população islâmica, que condena os atentados

5. Como é a política e a economia da Nigéria?

Com uma população de 175 milhões de habitantes, a Nigéria é o maior país da África. Depois de uma enorme instabilidade política até os anos 1990, vem tentando se consolidar como uma democracia. Enfrenta problemas internos, como os ataques do Boko Haram, além de enorme corrupção política. Economicamente, é dependente do petróleo (95% das exportações do país), sendo um dos principais produtores do mundo. O PIB ultrapassou o da África do Sul, mas a renda per capita (US$ 2.800) é baixa e a população abaixo da linha de pobreza ultrapassa os 70%.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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